A Agência Bori, que fornece informações científicas e pesquisas inéditas, realizou uma coletiva de imprensa com a agrônoma Andréia Vigolo Lourenço, que realizou pesquisa sobre o mercado de orgânicos.
Ela mostrou em números e gráficos que a oferta de orgânicos produzidos no país falha em suprir demanda, apesar do mercado em crescimento.
O Brasil tem um dos principais mercados agrícolas do mundo, inclusive, de alimentos orgânicos, no entanto, ainda é inferior à demanda, de acordo com dados analisados por cientistas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). A pesquisa publicada na revista científica “Desenvolvimento e Meio Ambiente” aponta, ainda, que há falhas no levantamento de dados referente ao cultivo de orgânicos no país.
Os números apresentados na coletiva traçou um panorama sobre a produção e a demanda de orgânicos no Brasil, a partir de dados do Censo Agropecuário de 2017 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos (CNPO), realizado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), e dados de consumo de pesquisas da Associação de Promoção dos Orgânicos (Organis) e do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
A apuração mostrou que o número de cadastros de produtores de orgânicos realizados via Mapa aumentou 75% entre 2017 e 2022. Estes números, no entanto, não devem ser comparados com os dados do IBGE, já que as metodologias são diferentes. “As informações do Mapa consideram o produtor orgânico, mas não o estabelecimento, enquanto o IBGE trabalha com estabelecimentos”, explica a pesquisadora Andréia Lourenço, da UFRGS, co-autora do estudo.
Perguntamos se as políticas públicas, como o fornecimento de orgânicos para merenda escolar, poderia formalizar cooperativas e associações locais de produtors. A pesquisadora acredita que sim, mas tem ressalvas em relação à organização desses produtores, com certificação necessária para participar das chamadas públicas: “Tudo vai depender da capacidade de locomoção, logística, volume de produção e preço”.
A agrônoma destaca que as bases de dados utilizadas pelo estudo são limitadas, inclusive para promover polpiticas públicas e ações aos consumidor mais assertivas. “Precisamos de ferramentas mais aprimoradas para ter um panorama mais preciso da cadeia produtiva de orgânicos do país”, avalia. O avanço na captação de informações pode favorecer a criação e a aplicação de políticas públicas para os produtores, além de mapear melhor onde está a demanda por esse tipo de produto e ampliar a sua oferta para o mercado consumidor interno.
































