Pobre Botão!!!

Ando muito a pé e, com frequência, utilizo os recursos disponíveis como calçadas (quando não estão esburacadas ou com desníveis), faixa de pedestres (quando existentes) e semáforos específicos para pedestres. Como sempre, observo o comportamento humano, pois, faz parte do meu cotidiano e me ajuda a entender como as pessoas agem, atuam, procedem, etc.

A primeira citação que devo fazer é que o pedestre é muito acomodado, para não dizer folgado! Em geral, ele prefere atravessar em frente de sua casa, do trabalho e não tem paciência para ir até a faixa de pedestre mais próxima.

A segunda é que ele não usa a calçada como deveria. É comum, notadamente em bairros, ver o pessoal andando pelo leito carroçável e arriscando a vida, pois um veículo pode aparecer de repente e nem um, nem outro pode adivinhar o que vai acontecer se houver um confronto.

Em terceiro lugar está o pedestre impaciente que não aguarda o semáforo exclusivo para ele e desafia o motorista que ele sabe que não vai jogar o carro em cima de ninguém. Em travessias próximas a escolas, a coisa é pior: o semáforo para uma das ruas é de curta duração. Pois, na saída da aula, quando todos saem ao mesmo tempo, a moçada não respeita nada. O farol fecha e o bando continua a travessia. O pobre do motorista, que tem, muitas vezes, míseros trinta segundos, fica aguardando a passagem daquele grupo e, quando vai arrancar, o semáforo já está vermelho para ele.

Mas, o que incomoda de verdade é ver alguém com o dedo colado no botão que é destinado ao pedestre. Ele/a reclama, blasfema contra o botão que não atende de imediato e continua a pressionar o pobre do botão. Quando, enfim, surge o verde, ele/a tem certeza de que foi o seu dedinho mágico que conseguiu aquela proeza.

Conversando com um engenheiro de trânsito, ele me explicou que a coisa não é tão simples assim. O uso forçado do botão pode desmontar a programação e até quebrar a peça.

Em princípio, é necessário notar em que região está o semáforo. Se estiver próximo a escolas, ele terá uma programação diferenciada e específica para o horário de entrada e saída dos alunos. Se for uma área em que o semáforo é trifásico, é necessário aguardar o ciclo completo para atravessar a rua.

O que ocorre é que, quando se pressiona o botão, ele interrompe a programação do ciclo, mas é necessário aguardar o seu final. Isso significa, também, que se você se posicionar diante do botão, mas, não o pressionar, vai aguardar vários ciclos completos e, em nenhum deles, o semáforo específico para travessia de pedestres vai abrir.
Resumindo: basta um leve toque no botão e, após a finalização do ciclo programado, ele abrirá tranquilamente. É importante notar que ele fica verde por um curto espaço de tempo e, logo a seguir, surge o vermelho intermitente. Quando ele parar de piscar, não haverá mais tempo para iniciar a travessia, pois logo será aberto o semáforo para o fluxo de automóveis.

Viu como é fácil? Vamos ensinar os amigos, os filhos, sobrinhos, os alunos a não judiarem do pobre do botão?