Pouco a comemorar no Dia da Educação!

(Foto: Reprodução)

Embora haja esforços no sentido de melhorar a qualidade do ensino no Brasil, principalmente por parte de ONGs e da iniciativa privada, e salvo algumas iniciativas de governos nas três esferas, que ainda são tímidas e insuficientes, o nosso país não tem muito a comemorar neste 28 de abril, dia da Educação.

E quer saber quais são os vilões do avanço da qualidade da educação por aqui? Confira o vídeo:

É bom lembrar a todos que o Brasil foi a nação que teve o maior crescimento proporcional em investimento na educação pública, entre 34 países pesquisados pelo “Education at a Glance” (“Um olhar sobre a educação”), da OCDE – Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

O estudo comparou dados de 2012 e 2013 do sistema educacional no cenário internacional.

O investimento público total destinado à educação no nosso país pulou de 13,3% em 2005 para 17,2% em 2012. O Brasil designou 4,7% do PIB em 2012, contra média de 3,7% verificados nos países da OCDE.

Boa notícia? Se levarmos em conta apenas o crescimento do montante destinado à educação básica, a notícia é ótima.

O problema é a forma como esse dinheiro é utilizado por aqui. Embora o investimento público total seja alto na comparação com outras nações, o gasto brasileiro anual por aluno da educação básica ainda é muito baixo: cerca de 3 mil dólares ao ano por aluno, contra média de 8 mil e 200 dólares por estudante dos anos iniciais nos países da OCDE, e 9 mil e 600 por aluno dos anos finais.

A discrepância entre estes valores faz toda a diferença.

Países que se posicionam como líderes mundiais na oferta de educação de qualidade, como Coreia do Sul e Finlândia, apostam todas as fichas na educação básica, já que ela é a entrada das crianças no mundo do conhecimento. Eles já entenderam que se essa fase não tiver muita qualidade, o restante dos ciclos certamente será falho e poderá desestimular os estudantes, provocando evasão escolar na adolescência, além de baixo conhecimento.

E não há segredo sobre como investir bem a grana e gerar qualidade: estas duas nações, além de manterem os alunos muitas horas na escola, têm como pilar da política educacional a seleção e formação de professores de ponta, com reconhecimento profissional, excelentes salários e boas condições de trabalho.

Por aqui, a situação é inversa! Infelizmente, o levantamento da OCDE mostra que o professor da educação básica no Brasil ganha o equivalente a 42% do salário dos países pesquisados.

Além de vergonhoso, o dado nos leva a crer que de nada adianta elevar os valores investidos em educação, se o investimento não foca excelência no serviço oferecido à população. Parece-me que o problema não é dinheiro, mas, sim, gestão dele.

Por fim, a falta de gerenciamento da grana destinada à educação básica no Brasil tem outras consequências nefastas.

Se o nosso país supera as demais nações no quesito investimento em educação, perde, na média dos países da OCDE, na apuração do número de jovens com idades entre 15 e 29 anos que não estudam nem trabalham.

A parcela da população conhecida como geração nem-nem somava mais de 20% dos brasileiros em 2013. A média nos países da OCDE é de 16%.

Fora da Escola

Outro dado que assusta é que, dentre os países analisados, o Brasil apresenta o maior percentual de jovens de 20 a 24 anos de idade que não está estudando: 76%. Na mesma faixa etária, 52% deles estão empregados, sendo também essa a maior proporção observada pelo estudo da OCDE, divulgado nesta terça, dia 24 de novembro.

Essa problemática toda será sentida lá na frente, na renda desses brasileirinhos. É que por aqui, segundo a pesquisa, quem possui diploma de nível superior tem, em média, renda 152% maior que aqueles que possuem somente diploma de ensino médio.

Em suma: educação básica ruim gera evasão escolar nos ciclos seguintes e uma legião de pessoas com salários baixos, por terem deixado a escola antes do ideal. Assim, a questão deixa o setor da educação e passa a afetar diretamente o econômico, já que cidadãos com renda menor consomem pouco e fazendo a roda da economia do país girar devagar.