Essa última coluna do ano é, antes de tudo, um convite à reflexão. Debatemos bastante, ao longo de 2024, as novidades do mercado de clean beauty e os benefícios deste tipo de produto em relação a simulares tradicionais sintéticos. Afinal, a grande proposta aqui é dar visibilidade para as opções naturais e orgânicas que temos a encorajar/auxiliar pessoas interessadas numa transição.
O fato é que, independente do estilo de vida e do destino que damos ao nosso suado dinheiro, uma coisa é certa: precisamos vigiar os nossos delírios de consumo, inclusive os naturebas porque tendemos a encará-los como itens comuns e as empresas que os produzem também jogam o jogo do capitalismo.
Eu assisti recentemente ao documentário “A Conspiração Consumista”, disponível na Netflix. Na verdade, a produção não nos traz conceitos novos, mas mostra de uma forma muito realista e chocante como empresas como Apple, Amazon, Adidas e outras (inclusive outras grandes corporações não citadas no documentário), estão levando nossos recursos ao extremo e se apoiando em discursos vazios e inconsistentes de ESG para seguir doutrinando consumidores.
Fica um sabor amargo no fim do documentário. Um pouco de sensação de impotência, mas também aquela ideia de que só nós mesmos para fazer algo para salvar a nós mesmos, o planeta e as futuras gerações. Sim, gente. Mais do que nunca isso está em jogo e não é um papo de situação hipotética ou distante.
Então, eu divido com vocês algumas reflexões pessoais que tive. Vejam o que faz sentido.
A gente precisa definir a noção do suficiente com urgência
Li esse conceito pela primeira vez no livro “A psicologia financeira: lições atemporais sobre fortuna, ganância e felicidade”, do Morgan Housel.
Basicamente, é aquela ideia do quanto precisamos para viver bem sem supérfluos, sem os penduricalhos que só servem de adereço para acessar determinados status sociais e massagear egos. Enfim, me parece urgente que comecemos a trabalhar neste assunto.
Tem uma dica valiosa de uma ex-funcionária da Amazon sobre esse tópico.
Quando se sentir muito tentado (a) a comprar, monte seu carrinho e deixe lá por um mês. Se no fim deste período você não precisar e nem sentir falta dos itens no seu dia a dia é porque, talvez, você não esteja precisando mesmo.
É fundamental valorizar empresas que pensam em todo “ciclo de vida” daquilo que produz
Um dos entrevistados do documentário toca justamente neste ponto. Não importa qual a atividade da empresa, será preciso pensar em todo ciclo de vida do que se produz.
Eu acredito nisso e tenho feito esforços para valorizar empresas que pensam neste aspecto. O que podemos fazer, como consumidores?
– Avaliar se há uma preocupação legítima da empresa com o descarte das embalagens.
– Dar prioridade a empresas que focam nos produtos sólidos de nenhuma embalagem. Conto que ainda patino aqui porque ainda não me deparei com produtos incríveis para cabelo, por exemplo. Mas, sabonete em barra já uso há tempos.
– Privilegiar empresas que trabalham com a possibilidade de refis. Entre as naturebas temos algumas opções, como a Care Natural Beauty, a Baims, a Bioart.
É urgente mantermos atenção ao desperdício































