Projeto sobre Captura de carbono de gases vence o desafio do DWIH durante Startups Connected 2023

A startup alemã Colipi foi a grande vencedora do desafio “Resilient Society”, promovido pelo Centro Alemão de Ciência e Inovação (DWIH) São Paulo no âmbito do programa Startups Connected. A premiação foi realizada ontem – dia 14 de novembro – na cerimônia da 11ª edição do Congresso Brasil-Alemanha de Inovação e Sustentabilidade (CBAIS).
A ideia do desafio proposto pelo DWIH foi estimular startups alemãs de base científica que oferecessem soluções inovadoras para contribuir com a resiliência da sociedade brasileira– ou mesmo da humanidade e do planeta –, sempre com um olhar voltado para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas.
A solução apresentada pela Colipi – uma spin-off oriunda da Technische Universität Hamburg (TUHH) – consiste na produção de biomassa e outros componentes de valor a partir de um processo de fermentação de gás que explora a capacidade de bactérias oxidantes de hidrogênio (conhecidas como knallgas bacteria) de capturar dióxido de carbono. A descarbonização do planeta é um dos objetivos estipulados por países de todo o mundo até 2050. Nesse sentido, a descarbonização de um elemento como o hidrogênio — responsável atualmente por mais de 2 % das emissões totais de CO2 no mundo —, que resulta no hidrogênio verde, se revela como um dos pontos-chave.
Biorrefinaria se refere, de forma geral, a uma planta industrial de processamento que, ao utilizar biomassa como insumo e ter seus processos e equipamentos altamente integrados, produz uma gama de produtos de maior valor agregado, como combustíveis, energia e químicos. Este processo, apesar de ser mais limpo do que os que utilizam petroquímicos, ainda emite muito dióxido de carbono – exatamente o material absorvido pelas bactérias, o que, segundo  a Colipi, fecharia o ciclo bioeconômico.
“Fico muito satisfeito com o fato de a Colipi ter conquistado o primeiro lugar em nosso programa Startups Connected, apesar da forte concorrência. A empresa deixou uma forte impressão no júri durante a apresentação. Tanto a relevância da abordagem, quanto a solução apresentada parecem convincentes em vista das mudanças climáticas. Em nome de todo o DWIH São Paulo, desejo que a Colipi tenha sucesso no Brasil e acho que a vitória a ajudará a alcançá-lo”, parabenizou Jochen Hellmann, diretor do DWIH São Paulo e do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD) no Brasil.
Ao vencer o desafio, a Colipi terá o direto de usufruir de um plano de aceleração da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha de São Paulo (AHK São Paulo) que inclui: a realização de uma pesquisa de mercado; suporte para desenvolvimento de projeto piloto (reuniões presenciais ou remotas); viagem de negócios ao Brasil de uma semana (passagens aéreas e hospedagem inclusas); uso de espaço de coworking da Câmara por representante em São Paulo por até seis meses; associação à AHK São Paulo; intermedia&c cedil;ão de contatos; e, por fim, um evento (demo-day ou outro similar) sob medida organizado pela instituição.
Júri e finalistas
Três startups finalistas, no total de nove inscritas, fizeram seus pitches em 12 de julho para um júri reunido na sede do Centro Alemão. Além de Hellmann, fizeram parte do corpo de jurados Sören Metz, presidente do Conselho do DWIH São Paulo e representante local da Universidade Técnica de München (TUM); Antônio Lacerda, Head of Innovation da AHK São Paulo e Senior Vice President of Chemicals and Performance Products na BASF; Sylvia Maria Affonso, responsável por relações públicas e institucionais da agência de inovação Agits da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); e Adriana Camargo de Brito, pesquisadora do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).
Além da Colipi, apresentaram na final seus projetos as startups NoVirall – que desenvolve materiais de revestimento com propriedades antivirais e antibacterianas a serem aplicados, por exemplo, em filtros de ar (e outros produtos relacionados), com o objetivo de mitigar a transmissão de doenças e a poluição – e Xpedite Diagnostics, com uma tecnologia de extração rápida de RNA e DNA que permite a instalação de centros de testes moleculares longe de áreas hospitalares e em locais remotos.