galinhas poedeiras são criadas soltas (Foto: Pixabay)
O mercado brasileiro conta a partir de agora com uma nova empresa que pretende revolucionar o setor de proteínas orgânicas do país. A Raiar Orgânicos vai se dedicar inicialmente à produção de ovos orgânicos, segmento cujos investimentos de R$ 150 milhões criarão nos próximos anos a maior infraestrutura avícola de postura exclusivamente orgânica da América Latina, culminando com uma produção anual de 180 milhões de ovos.
Localizada em Avaré, no interior paulista, a empresa tem uma estratégia de negócio baseada no tripé tecnologia, bem-estar animal e fomento à produção de grãos orgânicos junto a pequenos produtores como elementos-chaves para geração de escala e expansão da oferta de ovos orgânicos no Brasil. “Valorizamos não só o produto final, mas todos os envolvidos no processo produtivo, com financiamento, treinamento para manejo adequado e assistência técnica rural, desenvolvendo toda a cadeia para garantir qualidade do grão ao prato”, diz Marcus Menoita, um dos cinco sócios-fundadores da Raiar Orgânicos. Além de Menoita, estão à frente operacional da empresa Luis Barbieri e Leandro Almeida, executivos com larga experiência no mercado de grãos e logística.
A estrutura montada na fazenda, de 170 hectares, inclui vasta área para circulação das aves. As galinhas poedeiras são criadas soltas e com acesso a sub-bosques, não recebem antibióticos e são alimentadas unicamente com dieta orgânica. A área dispõe ainda de 32 galpões de 3 mil m2 cada e contará com um laboratório de inovação para o desenvolvimento de tecnologias nutricionais e de bem-estar animal.
Outro diferencial da Raiar está no fomento à produção do grão – um gargalo na agricultura orgânica nacional – focado no pequeno produtor rural. Atualmente, a empresa trabalha com famílias nos Estados de São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Goiás.
“Trazemos um modelo novo e de sustentabilidade para a cadeia produtiva ao apoiar o pequeno produtor com planejamento dos insumos, plano agronômico e suporte operacional no processo de certificação”, afirma Barbieri. Segundo ele, a tecnologia é uma forte aliada. “Com a incorporação do que há de melhor em práticas de manejo e equipamentos para promover o bem-estar animal, possibilitamos o ganho de escala tornando mais amplo o acesso do consumidor à proteína orgânica”.
O investimento é justificado pela perspectiva de ampliação do consumo de alimentos orgânicos em escala global e local. De acordo com estudo recente do IPEA, desde 2000, o crescimento médio anual das vendas no varejo de produtos orgânicos no mundo foi superior a 11%. Durante a pandemia essa tendência se intensificou, inclusive no Brasil.
Ainda assim, há espaço para crescimento. O consumo de ovos orgânicos ocupa apenas 0,3% do total no país, percentual com tendência de alta devido, entre outros motivos, às mudanças relacionadas à decisão de compra, com a maior preocupação do consumidor com sua nutrição e o bem-estar dos animais.
Os ovos da Raiar Orgânicos estarão disponíveis no mercado a partir de dezembro.