Reciclar é preciso…

(Foto: Reprodução)

Dia desses fui a uma festa no sítio de um amigo e, por causa da distância, pousei por lá mesmo. No dia seguinte, após aquela moleza natural que a gente sente depois de algumas latinhas de cerveja, acordei no meio da manhã e fui pé ante pé até a cozinha para não fazer barulho e não acordar o anfitrião.

Qual não foi a minha surpresa ao vê-lo tranquilamente de bermuda e sandálias, luvas de borracha nas mãos e mexendo em sacos de lixo… Perguntei se havia alguma restrição por ser um sítio e não passar lixeiro pela frente e ele me surpreendeu com a resposta:

“Mais do que isso, meu caro! Na saída da estrada, existe uma caçamba da prefeitura que é esvaziada três vezes por semana. A gente coloca o lixo final lá, mas, aqui no meu pedaço, não sai nada embolado, tudo é separado!!!”.

Fui observando e me propus a ajudá-lo nessa missão. Afinal, não custa aprender e praticar o que é necessário para conservar o meio ambiente e evitar que ele fique pior do que está.

Vou tentar descrever a cena, de acordo com o que foi me impactando ao longo do tempo.

Ele estava sentando em uma banqueta, rodeado por vários e imensos sacos plásticos pretos. Cada saco estava lotado de material utilizado na festa do dia anterior. (Preciso contar a vocês que, no local da festa, havia vários recipientes e neles uma inscrição impressa no computador que indicava “Lixo Orgânico”, “Lixo Comum” e “Lixo Reciclável”).

Pois bem, o meu amigo, com toda a paciência do mundo, separava latinhas, pratinhos plásticos, talheres, copos descartáveis e ficava “fulo” quando apareciam restos de comida no meio.

Dizia ele: “Será que esse pessoal depois que bebe já não sabe distinguir o orgânico do reciclável?”

(Foto: Reprodução)
(Foto: Reprodução)

Pensando bem, é muito mais ‘confortável’ recolher os pratos usados e jogar tudo num só recipiente, mas, isso não pode ir para o destino final desse jeito. Afinal, ninguém vai se preocupar em separar depois que o saco for pra caçamba.

Eu fiquei olhando, admirando a paciência e a preocupação dele, para evitar que fosse tudo junto para o lixão. E descobri mais: ele usa os restos de comida, cascas de frutas, legumes, sobras de verduras e outras coisas do gênero para fazer compostagem, ou seja, joga tudo num buracão fundo, coloca terra por cima e a decomposição do material produz húmus, que é um fertilizante natural (orgânico) muito apropriado para o plantio.

Valeu pela festa, pelo fim de semana, mas, valeu mais por ver como é possível ser útil para humanidade em vez de ser acomodado e ficar ”morgando” o dia seguinte numa rede, reclamando que está empanzinado e de ressaca!