Esse é um assunto que me interessa de perto, não só porque afeta a todo ser humano, mas, porque está sempre surgindo algum comentário a respeito, seja na mídia, nas conversas entre amigos, no café da padaria e até quando alguém quer fofocar a respeito de algo que aconteceu na vizinhança.
Sou daqueles que frequentam reunião de condomínio, se preocupam com o que está surgindo no mercado em termos de equipamentos eletrônicos, observam o que existe em prédios recém-construídos e não conseguem entender por qual motivo, vez ou outra ficamos sabendo de um caso que ocorreu com algum conhecido ou parente.
Lendo a respeito, tendo vivido no exterior por algum tempo, atento a tudo e participando de reuniões de moradores, comecei a desenvolver certas ideias que chegam a me incomodar, mas, não podem ser omitidas.
Nos Estados Unidos, há muitos anos existe um programa chamado “Neighborhood Watching” (Vizinhança Observando), que a chefatura de polícia local estabelece em diversos bairros (condados) para que os moradores se falem mais, se conheçam melhor, saibam quando alguém viaja ou está fora de casa durante o dia e possam avisar o famoso 911, em caso de alguma atitude suspeita.
Analisando as residências atuais, aqui no nosso Brasil, elas mais parecem fortalezas do que lares, pois estão cercadas de fios eletrificados, protegidas por altos muros ou gradeadas em todo o seu entorno, além de ostentarem câmeras que registram tudo o que acontece nas cercanias.
Nos edifícios gastam-se verdadeiras fortunas para garantir a segurança dos seus moradores (que são os provedores de todo o sistema que faz um condomínio ficar em pé) e poder oferecer aos seus pares uma vida com mais qualidade. Mas, assim mesmo, os indivíduos vivem preocupados com a sua segurança e a dos seus familiares.
Esperar que os órgãos públicos cuidem de tudo já não é mais uma esperança, mas, a constatação de que é impossível. A conclusão é que cabe a cada um de nós redobrar a atenção em tudo o que fazemos e nas nossas atitudes diárias, dentro e fora de casa.
Em uma determinada reunião de condomínio, ouvi uma moradora reclamar do porteiro, pois, ele dificultou a entrada de um irmão dela. Conversando com o porteiro, descobrimos que a pessoa não estava cadastrada, que ela não costumava frequentar o condomínio, mas, que insistia em entrar mesmo na ausência da moradora, de maneira arrogante e imperativa, ameaçando-o de demissão, caso ele não abrisse o portão de entrada.
Lembro-me, ainda, de outro morador que – ao contrário – deu queixa do porteiro por deixar entrar um parente, sem ser anunciado e a reclamação procedia, pois essa pessoa estava sem condições de receber qualquer tipo de visita.
Nos dois casos, há falhas gritantes e que podem ser solucionadas de maneira bastante simples: se os moradores se conscientizarem de que o umbigo deles estará em risco, caso eles não procedam de acordo com os regulamentos de cada edifício, a coisa pode melhorar.
Não custa entender que os porteiros não podem conhecer todas as pessoas que entram e saem do prédio, que eles seguem escalas e, em certos casos, essas escalas provocam rodízio de funcionários, que trabalham em locais diferentes.
Não custa preencher um cadastro em que cada morador coloca seus telefones e as pessoas que devem ser contatadas em caso de emergência.
Não custa informar o nome das pessoas que podem entrar em cada unidade e, com o passar do tempo, ir atualizando a lista, cancelando nomes e adicionando outros.
Os funcionários frequentes devem ter seu cadastro atualizado permanentemente, os terceirizados devem ser informados a cada serviço, obra, entrega e por aí vai.
Muitas vezes, o comodismo, a displicência, a arrogância de certos moradores coloca em risco toda uma comunidade e põe a perder o caríssimo aparato colocado para protegê-los.
Pensando bem, todos nós podemos colaborar de uma forma ou de outra, bastando olhar em torno de onde se vive e abrindo um pouco mais a oportunidade de conhecer o outro.
Assim procedendo, poderemos nos sentir mais seguros e felizes…































