Som: o grande aliado do deficiente visual

(Foto: Reprodução)

Falar da importância do som na vida de todos nós não constitui novidade alguma.

Poucos se dão conta, porém, de que, para um deficiente visual como eu, ele assume um papel transcendental e pode significar a diferença entre a vida e a morte.

O áudio sempre foi uma de minhas grandes paixões e uma preocupação constante na construção da mensagem, mas passou a   se impor como crescentemente imprescindível ao meu cotidiano, à medida que minha visão fraquejava. Para mim, a dimensão sonora tornou-se, então, além de fonte de prazer estético e ferramenta de trabalho, a melhor forma de inteirar-me dos acontecimentos universais e de perceber o mundo ao meu redor.

Como nunca tinha feito antes, comecei a notar os problemas de dicção e as impropriedades no emprego da linguagem verbal oral: tornei-me crítico e exigente como nunca fora, pois a exatidão dessa forma de comunicação se tornara vital para mim!

Passei a atentar para as inexatidões que bem frequentemente ocorrem nas mensagens veiculadas por nossas rádios e televisões.

Passei a notar como, muitas vezes, as informações sonoras do nosso Metrô são ininteligíveis, como a ausência desse tipo de informação em nossos ônibus faz falta… e como é difícil entender o que dizem os funcionários de nosso sistema de transporte coletivo, sobretudo quando por meio de alto-falantes!

Por que nossos semáforos não dispõem de sistema de informação sonora?

Por que nem todos os elevadores – principalmente os de prédios públicos – não disponibilizam informação sonora?

Por esses e por muitos outros desleixos, o deficiente visual, que tem no som o seu grande aliado e o seu melhor guia, sente-se desorientado, marginalizado – senão excluído – em uma sociedade de “normais” e para “normais”: cada vez mais servil ao primado do ícone e que cada vez mais relega a informação sonora a um segundo plano…

Será que, para nós, o som vai acabar mesmo se resumindo nos “pancadões” e no estrépito ensurdecedor das motocicletas?