A partir de janeiro, sete grandes cadeias de supermercado francesas – Carrefour, Casino, Auchan, Lidl, Système U, Mousquetaires e Leclerc – incorporarão cláusulas de não desmatamento vinculado à soja aos termos contratuais de seus fornecedores.
“O manifesto dos supermercados é um movimento muito importante do mercado, porém, para ser eficaz, essa movimentação voluntária deve se traduzir rapidamente na implantação de planos de ações consistentes”, explica Klervi Le Guenic, responsável pela campanha da Canopée, uma organização social francesa.
Com as cláusulas, os supermercados pretendem que seus fornecedores não comprem soja produzida em terras desmatadas ilegalmente no Cerrado. O compromisso também abrange o desmatamento legal no bioma, autorizado pelo Código Florestal Brasileiro, e de áreas desmatadas em 2020.
Com mais de 3 milhões de toneladas de farelo de soja importadas a cada ano do Brasil para alimentação animal (aves, suínos, produtores de leite), o consumo de soja na França representa a maior contribuição do país para a destruição de florestas e ecossistemas em outros países, como o Brasil.
Para Etelle Higonnet, coordenadora de Mighty Earth, uma organização que trabalha para reduzir o desmatamento de florestas tropicais, os supermercados franceses finalmente ouviram os consumidores. Uma pesquisa recente mostra que 9 de cada 10 franceses estão mobilizados contra o desmatamento e são a favor de ações concretas e firmes.
“Porém, até agora, algumas empresas de grande importância ainda não se uniram ao manifesto, incluindo os fornecedores de soja Cargill e Bunge, que têm o poder de interromper as importações de soja responsáveis pelo desmatamento”, diz Higonnet. “Esperamos igualmente um comprometimento dos traders de soja menos implicados no desmatamento, como COFCO e Louis Dreyfus. Caso contrário, as empresas francesas deverão suspender seus contratos com eles a partir de 1º de janeiro de 2021.”































