Sustentabilidade: como tornar o processo de produção de remédios mais verde?

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Indústria farmacêutica, atualmente, é uma das dez que mais poluem o planeta.
Quem consome um simples analgésico, muitas vezes, não parou para pensar em todo o processo que envolve a produção daquele remédio. Grande parte dos medicamentos produzidos pela indústria farmacêutica é de origem sintética, fabricados em laboratório, por meio de processos que não são muito sustentáveis para o meio ambiente. Considerada uma das mais importantes indústrias da economia mundial, em razão de toda sua cadeia de produção gerar impactos financeiros, sociais e ambientais para o mundo, a indústria farmacêutica é uma das dez que mais poluem o planeta.
Pensando em corrigir essa realidade, pesquisadores do Laboratório de Biotecnologia e Síntese Orgânica (Labs), do Departamento de Química Orgânica e Inorgânica da Universidade Federal do Ceará (UFC), buscam soluções para tornar o processo de produção de remédios mais sustentável, seguindo o conceito conhecido como química verde.
Danos ao meio ambiente
Os resíduos gerados pela indústria farmacêutica incluem etapas como devolução e recolhimento de remédios obsoletos, descarte daqueles que não passaram pelo controle de qualidade, embalagens que transportam os insumos para a fabricação e dos materiais utilizados na produção, como catalisadores, por exemplo. De acordo com a NBR 10.004/04, grande parte dos rejeitos é classificada como Classe I, o que significa que são perigosos, pois possuem em suas composições substâncias corrosivas, inflamáveis e reativas, capazes de contaminar a natureza.
Proteção do meio ambiente e economia
O grupo do Labs, coordenado pelos mestres Marcos Carlos de Mattos, Maria da Conceição Oliveira, Davila Zampieri e Fátima Nunes, tem como plano transformar o processo de produção, substituindo catalisadores químicos por biocatalisadores (enzimas). O objetivo é tornar o processo o mais natural possível e mesmo assim conseguir chegar ao mesmo produto final. O resultado disso é uma indústria farmacêutica com menos impacto ambiental, além de reduzir o custo de produção de alguns remédios.
Incorporar a sustentabilidade representa uma economia financeira para a organização, graças a recursos que abreviam o processo de produção e causam menos impacto ao planeta; foi o que revelou uma pesquisa de pós-doutorado da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, realizada pela jornalista Devani Salomão. O estudo teve como objetivo verificar como gestores e funcionários entendiam o termo sustentabilidade e como colocavam em prática nas 6 empresas que concordaram em participar da pesquisa.
Otimização de resultados
Um dos biocatalisadores mais utilizados no Labs é a lipase, uma substância biodegradável e eficiente para realizar a catálise dos medicamentos, com a vantagem de ser também 50% mais econômica que as demais. Na sua produção, os pesquisadores adotam a técnica que faz uso de enzimas em reações químicas para reduzir as etapas de produção dos remédios, a chamada síntese quimioenzimática. O resultado disso são medicamentos produzidos de forma mais eficiente, que precisam de menos recursos na produção e poluem muito menos o meio ambiente. A lipase é muito vantajosa para a indústria farmacêutica, pois, além de ser uma enzima comercial de fácil aquisição, reduz o tempo e os custos de produção dos remédios; além disso, pode ser reutilizada em até 10 vezes.
Pensar em soluções para produzir fármacos mais eficientes e mais sustentáveis deve ser um desafio diário para as organizações do ramo e para os estudantes da faculdade de farmácia. A chamada química verde, cada vez mais necessária e eficaz, é um caminho sem volta para consumidores e indústrias cada vez mais conscientes.