Eu publiquei na minha newsletter recentemente um texto falando sobre as regressões na jornada de clean beauty. Ou seja, aqueles momentos em que você precisa voltar para os produtos tradicionais e parece que voltou para a estaca zero em aspectos que pareciam resolvidos.
Isso aconteceu recentemente comigo com relação às escolhas para os cuidados capilares e eu me senti levemente frustrada.
Nesta coluna, levanto alguns pontos de restrição na jornada da beleza limpa que devem ser considerados por consumidores e fabricantes. Acho que um olhar atento pode contribuir para a evolução do mercado e também para diminuir a dor de consciência inerente a esses pequenos passos para trás.
É difícil, ainda, manter consistência na rotina de beleza
É preciso saber que há alguma dificuldade em manter a consistência na rotina de beleza limpa. Não raro, algumas marcas e linhas são descontinuadas e, no caso de empresas multinacionais, é comum que o tempo de permanência no Brasil seja curto.
Mas, felizmente, mais e mais opções aparecem e experimentar o máximo para encontrar os produtos que mais fazem sentido para você também é uma missão prazerosa. Se puder compor uma rotina inteira com marcas nacionais é bom por muitos motivos, mas eu acho que ainda um tantinho distantes deste feito.
Preços e custo-benefício
Acho que, de forma geral, as marcas de clean beauty se comunicam muito mal e o consumidor tem pouquíssimas referências para tirar conclusões sobre o custo-benefício.
Aí o possível consumidor acaba ficando no terreno dos produtos convencionais, pois já sabe mais ou menos o que esperar.
Sustentabilidade
As fabricantes de clean beauty precisam entender que o público que opta por seus produtos está muito sintonizado às questões de sustentabilidade, além da atenção ao que usa no próprio corpo.
Talvez esse tópico seja um desdobramento do anterior. Noto pouco compromisso.
Dessa forma, é preciso cuidar de aspectos como ciclo de vida do produto, embalagem e refilagem. Poucas estão atentas a isso e podem perder espaços importantes.
Sensorial e diversidade
Outros aspectos ainda negligenciados pelas fabricantes de clean beauty são o sensorial e a diversidade de texturas e opções. Ambos estão sendo observados aos poucos e corrigidos lentamente, mas ainda há uma distância importante, especialmente se comparamos às opções convencionais.
E você? Quais têm sido os obstáculos da sua jornada no clean beauty? Conto que todos esses são dilemas quase que diários para mim e acho que o mercado só tem a ganhar refletindo sobre elas. Volto em março com mais novidades.
Ana Carolina Barbosa é jornalista, especialista em marketing de conteúdo na Cabrun!, aprendiz de perfumaria botânica na Cheimelier, autora da newsletter Flor Que Se Cheiree grande entusiasta do universo de cosméticos naturais.