Brasil produz mais lixo, mas não avança em serviços

(Foto: Wikimedia Common)

O Brasil gerou 78,4 milhões de toneladas de lixo em 2017, crescimento de apenas 1%, em relação a 2016, aponta o novo Panorama de Resíduos Sólidos, divulgado nesta sexta-feira (14) pela Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos (ABRELPE).

Quase 215 mil toneladas de resíduos foram geradas por dia, sendo cada brasileiro  responsável, em média, por 378 kgs/ano, volume suficiente para cobrir 1,5 campo de futebol.

Segundo o diretor presidente da Abrelpe, Carlos Silva Filho, a crise teve um impacto direto na redução de lixo, mas com a retomada da economia e, consequentemente, do consumo, a geração de lixo per capita voltou a subir.

“O crescimento de 1% é o suficiente para encher mais de 10 estádios do Maracanã de lixo”. Isso significa que “o volume de geração de lixo no Brasil aumentou mais do que o crescimento populacional, que subiu 0,25% de 2016 e 2017”, avalia Silva Filho.

Dos 78,4 milhões de toneladas, 71,6 milhões foram coletados. A quantidade de resíduos sólidos coletados registrou um pequeno avanço de 1,25%, com um total de 196 mil toneladas por dia, mantendo o índice de cobertura de 91,2% em todo o país.

A Região Sudeste continua respondendo por cerca de 53% do total de resíduos coletados e tem a maior cobertura dos serviços de coleta do país. Seguida pelo Nordeste (22,4%), Sul (10,9%), Centro-Oeste (7,3%) e Norte, com 6,5%.

Entretanto, 1 em cada 11 brasileiros não possui coleta de lixo e 7 milhões de toneladas dos resíduos coletados, o equivalente a 6.100 piscinas olímpicas, tiveram destino impróprio. O volume é o dobro da quantidade de lixo gerada pela Dinamarca, que coleta 3.4 milhões de toneladas por ano.

“O temor é que, com o aquecimento da economia, o índice cresça. O Brasil não vai ter a infraestrutura necessária para lidar com o lixo gerado. Não tem aterro sanitário suficiente para lidar com o despejo”, alerta o presidente.

Em relação a coleta seletiva, 70% dos municípios brasileiros contam com algum tipo de iniciativa, mas apenas 40 cidades aderiram ao sistema no ano passado.

Uma pesquisa realizada pelo Ibope revelou que apesar de 90% dos brasileiros afirmarem que meio ambiente e reciclagem são importantes, 75% não separa o lixo em casa, 66% sabem pouco ou nada sobre coleta seletiva, e menos da metade da população sabe que alumínio, papel e PET são recicláveis.

“A consequência direta são os índices de reciclagem estagnados há alguns anos, apesar da grande propaganda que tem sido feita a respeito, tendo como consequência o desperdício de recursos relevantes e sobrecarga nos sistemas de destinação final”, observa Carlos.

Lixões

O grande desafio do Brasil é a destinação correta dos resíduos gerados. A disposição final adequada registrou um índice de 59,1% encaminhados para aterros sanitários. Porém lixões e aterros controlados receberam mais de 80 mil toneladas de resíduos por dia, um índice superior a 40%.

O despejo de resíduos direcionados para lixões passou de 12,3 milhões para 12.909.320 toneladas por ano, um crescimento de 3% de 2016 para 2017, volume suficiente para encher 500 piscinas olímpicas.

No último ano, 1.610 municípios voltaram a despejar resíduos nos lixões. Por lei, os lixões são proibidos desde 1981, são considerados como crime ambiental desde 1988 e deveriam ter sido fechados até 2014, prazo estabelecido pela Política Nacional dos Resíduos Sólidos.

“É um retrocesso completo. Cidade que já tinha dado um upgrade no sistema, já tinha ou já estava usando um aterro controlado, voltou a usar lixão. Cerca de 60% dessas cidades que fazem uso de unidades de destinação inadequadas”, ressalta o presidente da Abrelpe.

“A quantidade de resíduos disposta de maneira inadequada no país cresce a cada ano, trazendo impactos negativos no meio ambiente e na saúde pública. Caso não sejam adotadas medidas urgentes para reverter esse quadro, corremos o risco de atingir um problema de proporções irreversíveis”, afirma.

Atualmente, 95 milhões de brasileiros são afetados direta e indiretamente pelos lixões, que contaminam a água, o solo e poluem o ar.