O desconhecimento das espécies favorece a vulnerabilidade e extinção da flora.
O planeta é tão imenso, com muitas áreas remotas, que logicamente não conhecemos todas as árvores que existem nesta imensidão. Mas e daí? Tem algum problema nisso? Infelizmente, as espécies que não são mapeadas ficam vulneráveis e correm o risco de desaparecerem, sem que nenhuma ação de preservação seja feita para tentar evitar. De acordo com a pesquisa da Universidade de Bolonha, na Itália, das mais de 73 mil espécies de árvores que povoam o nosso planeta, mais de 9 mil ainda são desconhecidas, um número 14,2% maior do que a ciência tinha concluído anteriormente.
As árvores a serem descobertas estão muito próximas de nós, pelo menos é o que revela um estudo realizado por 148 cientistas. A pesquisa concluiu que a maior parte das árvores desconhecidas está na América do Sul, mais precisamente na Amazônia e no sopé das Cordilheiras dos Andes. Só nessas duas regiões podem existir cerca de 3.900 espécies ainda não catalogadas, de um total de cerca de 31.100.
Risco de extinção
O fato de uma espécie não ter sido catalogada significa que ela está em pequeno número em nosso planeta, ou seja, é rara ou restrita a uma determinada região. Por isso, elas estão mais vulneráveis e correm o risco de extinção. Para os cientistas, é fundamental estimar e catalogar a quantidade de espécies para poder informar e otimizar o processo de conservação florestal.
A pesquisa destaca que a conservação florestal deveria ser prioridade absoluta na América do Sul, levando em conta o ritmo de destruição das florestas por desmatamento, incêndios e mudanças climáticas. Foram perdidos em 2021 mais de 860 mil hectares da floresta amazônica, de acordo com o relatório publicado recentemente pelo Projeto de Monitoramento da Amazônia Andina (MAAP). A maior parte do desmatamento foi em território brasileiro (79%).
No Brasil, incêndios criminosos acontecem com muita frequência na Amazônia, o que já pode ter levado algumas espécies à extinção, sem nunca terem sido conhecidas. O sistema de monitoramento via satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registrou o desmatamento em terras brasileiras de 13,2 mil quilômetros quadrados, entre agosto de 2020 e julho de 2021. Um crescimento de 22%, em relação ao desmatamento apurado anteriormente.
Atitude
Olhar para o passado não irá ajudar a resolver as questões climáticas que estão em curso no mundo inteiro. É preciso olhar para o futuro e agir no presente. Um país com tanta diversidade florestal como o nosso precisa de profissionais especializados em preservar nossa flora. Em tempos de Covid, o curso de biomedicina EAD é um caminho para quem acredita que, para preservar, é preciso conhecer e catalogar, uma vez que o conhecimento contribui tanto para a preservação das árvores, como também para a avaliação de quais espécies são mais resistentes às mudanças climáticas.