Além do discurso: o que as empresas de moda têm feito pela sustentabilidade

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(Foto: iStock/ Divulgação)

A moda sempre foi profundamente influenciada pela sociedade ao seu redor, refletindo as principais tendências não só relacionadas ao campo da beleza e lifestyle, mas também questões sociais, políticas e ambientais. Cada vez mais, a indústria da moda tem criado espaços para debate e denúncia, discutindo temas importantes e que também afetam esse universo.

Com o crescimento das discussões acerca do meio ambiente e da sustentabilidade, as marcas precisaram se posicionar de maneira mais clara, como forma de garantir a relevância no meio e deixar explícitas as políticas relacionadas a essa questão, que passaram a ser levadas em consideração por vários consumidores, influenciando no fechamento de vendas.

Sustentabilidade na prática

O posicionamento sustentável, entretanto, não pode estar somente no discurso, e deve fazer parte de todos os processos, por meio de mudanças na cadeia de produção, que vai desde o tratamento com os funcionários até a modalidade de envio escolhida para entregar o produto ao consumidor, passando pelos materiais usados, tipos de embalagens e divulgação da empresa.

O relatório BoF Sustainability Index, divulgado no fim de março, trouxe algumas informações relevantes em relação ao assunto. Produzido pela Business of Fashion, uma das principais plataformas de discussão de moda em escala global, a pesquisa comparou as ações sustentáveis de 15 grandes companhias de moda, com o intuito de avaliar a evolução das marcas em relação às medidas para evitar mudanças climáticas e ampliar o bem-estar social. Entre as empresas analisadas, estão nomes como Hermès, Kering, LVMH, H&M Group, Levi Strauss & Co, Nike, Puma e outras.

Foram analisadas seis categorias: transparência, emissões, água e produtos químicos, materiais, direitos trabalhistas e desperdício, com 16 metas para serem alcançadas até 2022, 2025 ou 2030. Os resultados mostraram que, apesar de a maioria das empresas já incluir medidas sustentáveis em seus processos, falta estruturar planos de ação mais objetivos, indo além do discurso. Nenhuma das empresas avaliadas, por exemplo, fornece um catálogo completo sobre seus processos de fabricação, enquanto apenas metade lista todos os fornecedores diretos.

Por outro lado, a pesquisa mostrou alguns resultados positivos, que já indicam uma mudança no setor. Todas as companhias analisadas estão trabalhando para usar matérias-primas mais sustentáveis, com ajuda de certificações. Além disso, a maioria das marcas pretende usar materiais de fontes responsáveis até 2025. Foi notado um interesse geral entre as empresas por práticas agrícolas que promovam a saúde do solo e a biodiversidade. Outra ação interessante é a produção de roupas para serem recicláveis, o que é feito por pouco mais de um terço das companhias.

Além de mudanças dentro da indústria da moda, empresas de outros setores também têm buscado maneiras de tornar seus processos mais sustentáveis. Multinacionais como Philips, Johnson & Johnson, Natura e L’Oréal já divulgaram seus planos de ação e a criação de programas voltados a uma produção e consumo mais ecológicos.

É importante transformar o debate sobre sustentabilidade em ações práticas e que, de fato, irão contribuir para o cuidado com o meio ambiente e um processo estrutural, e que deve começar muito antes de medidas tomadas pela empresa em si. Inserir as discussões ambientais nos cursos de contabilidade, administração e demais carreiras ligadas ao empreendedorismo é um passo importante para que essas questões estejam naturalizadas na rotina, refletindo nos ideais das empresas.