Com menos pegada de carbono e uso de agrotóxicos, os produtos locais são uma forma de resistência do campo contra a indústria de massa.
O mundo globalizado impõe uma certa mentalidade capaz de dizer o que é certo e o que é errado no que diz respeito ao consumo. Hoje, é normal que os alimentos sejam encontrados e consumidos mais na sua forma industrializada do que in natura. Com o tempo, normaliza-se esse pensamento, o preço desses produtos cai, devido a produção maciça, e logo os alimentos saudáveis são tidos ou como caros demais ou até como desnecessários.
No entanto, a forma como os alimentos são consumidos influencia diretamente no meio em que se vive. Afinal, produtos que não são sustentáveis, seja pela sua forma de manejo, produção ou descarte ou cujas embalagens não podem ser recicladas, causam enormes prejuízos ambientais que podem ser sentidos por todos. Já para a saúde, tais produtos industrializados se tornaram grandes vilões.
Uma vez que os recursos são finitos, cabe também aos consumidores prezar pelo seu bom uso, ou seja, pelo uso consciente. Pensar o que se consome e como se consome e agir de forma positiva pode fazer toda a diferença no contexto atual, que vai desde insegurança alimentar a mudanças climáticas drásticas.
Uma forma inteligente de poupar recursos é consumir localmente. Produtos locais e de estação requerem menos do meio ambiente: menos transporte, menos embalagens e também menos químicos, seja para seu cultivo, seja para que não estraguem tão rápido nem amadureçam de maneira forçada. Consumir localmente é também fortalecer o pequeno produtor, que muitas vezes sofre com a pressão dos grandes.
Logo, consumir localmente é fortalecer a economia da região. Uma economia forte significa mais qualidade de vida para a população local, importante para a manutenção de suas vidas, de sua comunidade e até mesmo da cultura regional. Como muito da produção se dá nas famílias, é comum que as tradições sejam mantidas, desde que fortalecidas por uma rede de consumo.
Além disso, obtém-se produtos muito mais frescos e nutritivos, uma vez que seu caminho do campo à mesa é muito encurtado. Produtos que servem para abastecer os supermercados urbanos passam muito tempo em transporte e nem sempre são armazenados da melhor maneira. Com isso, perdem seus nutrientes e geralmente estragam em muito menos tempo.
A rede de abastecimento é praticamente dependente apenas do modal viário para acontecer. Com isso, muitos caminhões são necessários para transportar os alimentos, encarecendo o frete, a depender do preço dos combustíveis, o que se traduz em comida mais cara, e poluindo muito mais. Isso é especialmente prejudicial para as classes menos abastadas, que sofrem com a falta de alimentos nutritivos por conta dos preços altos.
Para chegar até os produtos locais, é necessário visitar feiras e mercados ou até mesmo os próprios produtores, de forma a criar até mesmo um vínculo com eles e assim conhecer melhor o processo produtivo e a comida que se come. Preparar as próprias receitas é uma forma de se aproximar ainda mais do alimento, cozinhando sempre em casa com o auxílio de um botijão de gás