Após 20 anos, Cassini encerra sua missão em Saturno

(Foto: NASA)

A partir das 05h30 da manhã (horário de Brasília) desta sexta-feira (15), a Agência Espacial Americana (NASA) vai começar as últimas manobras da sonda espacial Cassini, após 13 anos orbitando Saturno.

Em 1997, a NASA e a Agência Espacial Europeia (ESA) lançaram a missão Cassini-Huygens, um projeto composto pela sonda espacial Huygens e o orbitador Cassini para explorar Saturno.

Na véspera do Natal de 2004, após sete anos de viagem interplanetária, a Cassini e Huygens se separaram em Saturno para cumprir com os seus respectivos objetivos. Enquanto a Cassini permaneceu na órbita do planeta gasoso, Huygens pousou na lua Titã, sendo a primeira máquina a ultrapassar o cinturão de asteróides de Saturno.

A missão proporcionou grandes descobertas que revolucionaram o conhecimento sobre o sexto planeta do Sistema Solar, como a presença de lagos na superfície de Titã. Esses lagos são compostos por metano e etano (hidrocarbonetos) e geram chuvas, que demoram para evaporar e formam rios e até mesmo oceanos.

“Onde Huygens desembarcou, havia rios e montanhas. Parece quase um planeta mais vivo do que a Terra”, disse Erich Karkoschka, cientista do Laboratório Lunar e Planetário da Universidade do Arizona, ao The Washington Post.

A existência de furacões, similares aos da Terra, nos polos de Saturno, de um oceano de água salgada e atividades hidrotermais em Encélado, um dos satélites naturais do planeta. O que revelou condições propícias para a existência de vida.

Há algumas questões que ainda intrigam os cientistas: a duração de um dia. De acordo com as descobertas científicas, a rotação do planeta é diferente nos hemisférios norte e sul e muda com as estações. Por isso, a rotação do planeta ainda não é completamente conhecida.

Com o fim do combustível, a NASA optou por destruir a nave na atmosfera de Saturno, entretanto a máquina continuará enviando informações até o seu último segundo como um “beijo de despedida”, como foi apelidado o momento pelos cientistas.

“A missão da Cassini foi cheia de descobertas científicas, e isso continuará porque os instrumentos recolherão amostras da atmosfera de Saturno até o último segundo”, disse Linda Spilker, cientista de projeto desta missão no Jet Propulsion Laboratory (JPL) da Nasa, na Califórnia.

“A sonda transmitirá os dados quase em tempo real durante a imersão na atmosfera, algo sem precedentes para Saturno”, acrescentou.

A previsão é que a Cassini entre na atmosfera de Saturno por volta das 8h30 da manhã. O ONB irá transmitir ao vivo o fim da sonda, não perca!

Cassini em números

A NASA divulgou este infográfico com os principais feitos da Cassini:

(Foto: NASA)

Brasil

A equipe de astrônomos da missão Cassini-Huygens conta com a participação de uma brasileira: Rosaly Lopes.

Desde 1991 trabalhando na NASA, Rosaly contou ao G1 que desde pequena queria ser astronauta, mas optou por ser astrônoma e ajudar no desenvolvimento espacial.

“Queria ser astronauta quando criança, mas descobri muito cedo que sendo menina, brasileira, e muito míope, eu não ia conseguir. Decidi ser astrônoma, trabalhar na Nasa e ajudar no programa espacial”, disse.

A brasileira começou a estudar na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mas terminou os estudos na Universidade de Londres, após ser selecionada. Então em 1991, começou a trabalhar na NASA.

Desde então, trabalhou em duas grandes missões: a Galileu, lançada para estudar Júpiter em 1989, e a Cassini. Segundo a astrônoma, a Cassini foi “muito bem sucedida”, em relação a Galileu, por ter uma equipe muito maior.

Durante o seu trabalho na NASA, Rosaly espalhou a cultura brasileira pelo espaço. “Sugiro nomes para colocarem no banco de dados de outros planetas. Comecei por Io, quando notei que nenhum planeta, nenhum satélite, era batizado com nomes da mitologia indígena brasileira. Como os vulcões de Io têm nomes de deuses e heróis, sugeri Tupã e Monã”, disse.

** Com informações do G1, da NASA e do Washington Post