Aquecimento global já é irreversível, afirma cientista

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            Estudos mostram que eventos climáticos extremos avançam, sem previsão de trégua.

           O tema do aquecimento global já vem sendo discutido há muitos anos, sobretudo desde o começo do século XXI, em que os reflexos da industrialização exacerbada passaram a se tornar mais visíveis. Agora, na terceira década do século, os dados assustam ainda mais. Um estudo da revista Nature Climate Change publicou, em maio deste ano, que mais de 35% das mortes por calor excessivo na Europa são consequências das mudanças climáticas. O calor não é o único problema: quando se fala em aquecimento global, outras condições meteorológicas extremas entram na conta, como tempestades, inundações, longos períodos de seca e também frio em temperaturas negativas em locais onde geralmente isso não ocorre.

Como o tema é uma das urgências mundiais, vários pesquisadores de instituições públicas e privadas mobilizam estudos científicos para analisar os impactos diversos das mudanças climáticas. O cientista que comandou a maior expedição ao Ártico, Dr. Markus Rex, já afirma que o aquecimento global é irreversível. Com o recuo de gelo marinho considerado o mais alto em 2020, o cientista afirma que “somente a avaliação nos próximos anos nos permitirá determinar se ainda podemos salvar o gelo marinho do Ártico”. Esse estudo permite, por exemplo, que os cientistas façam previsões reais a respeito da frequência de ondas de calor, tempestades e inundações pelos próximos 100 anos.

Um exemplo recente de como as atividades humanas estão prejudicando o meio ambiente e que não há previsão de trégua é o próprio descarte de produtos considerados EPIs (Equipamento de Proteção Individual), como luvas e máscaras descartáveis. Com a pandemia de COVID-19 durando mais de um ano, a quantidade de plástico descartado é uma preocupação real da AEA (Agência Europeia do Ambiente). Por não serem recicláveis, esses produtos podem contaminar, tanto outras pessoas, por incorreto manuseio do lixo, quanto o meio ambiente – dependendo da composição do EPI, os equipamentos podem demorar mais de 450 anos para se decompor na natureza. Isso gera problemas na flora e também na fauna, visto que animais podem entrar em contato com esse lixo e adoecer.

Os principais problemas dessas condições meteorológicas extremas é o risco à vida humana, ao meio ambiente como um todo. As mortes por frio e calor já são uma realidade em diversos países – nas nações europeias, como citado anteriormente, e também no Canadá e nos Estados Unidos. Segundo a polícia de Vancouver, 130 mortes súbitas ocorreram no dia 25/06 por consequência do calor. A maioria das pessoas era idosa ou possuía comorbidades. Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), os eventos climáticos extremos levaram a aproximadamente 15 mil mortes e um prejuízo de R$ 837 bilhões somente em 2020.

Para dar conta de atender as pessoas que adoecem nessas situações extremas do clima, aumentam também os recursos humanos de profissionais formados em faculdade de enfermagem, medicina e outros de saúde, e a possibilidade de estes profissionais não darem conta de atender à demanda – ainda mais em meio a uma pandemia – é real. Da mesma maneira, biólogos e engenheiros ambientais se fazem necessários para ajudar a conter os estragos ecológicos.