Aves do Pantanal estão ameaçadas pela ação humana

(Foto: Rudi Laps/ Divulgação)

A conservação de três espécies de aves importantes para a dispersão de sementes e para a renovação do Pantanal está ameaçada pela atividade humana. É o que revela o novo estudo da ONG, WCS Brasil.

Segundo a pesquisa, em áreas de florestas densas, contínuas e conectadas do bioma antes da intervenção humana, foram encontradas 429 jacutingas, 150 mutuns e 1739 arancuãs.

Após a região ser alterada por ações humanas, como desmatamento e pecuária extensiva, 18 jacutingas e 338 arancuãs foram localizados. No caso dos Mutuns, o número foi semelhante, já que a espécie pode explorar tanto o solo de floresta, quanto o de cerrados ou campos sujos.

Chamadas de “despertadores” pantaneiros, as três espécies se alimentam, preferencialmente, por frutos. Assim como outros animais frugívoros, ao comerem as frutas, eles carregam e espalham uma variedade de sementes pela floresta, atuando como “jardineiros” e, consequentemente, promovendo a regeneração da mata e o crescimento da sua resiliência.

O Pantanal é um dos biomas com maior extensão contínua do planeta, porém o de menor extensão territorial no Brasil. Cerca de 95% do bioma no país e as terras limítrofes do Cerrado estão em propriedades privadas, de acordo com dados da WCS Brasil. Isso faz com que a região esteja vulnerável às tendências econômicas, que impulsionam o desmatamento e o desenvolvimento agrícola.

Além disso, as aves de grande porte são caçadas pela sua carne, utilizada em várias receitas. A caça reduziu muito as populações dessas espécies, principalmente nas regiões Sul e Sudeste do Brasil.

“A redução das populações dessas aves pode desencadear sérias consequências para a interação biológica da paisagem, em longo prazo”, afirmam os autores da pesquisa.

“Diferentemente de outros lugares do Brasil, no Pantanal ainda podemos ver (e ouvir) os cracídeos desempenhando seus papéis como dispersores de sementes e integrantes da biodiversidade. Entretanto, se as intervenções humanas prosseguirem na escalada atual, provavelmente os únicos vestígios da existência de aracuãs, jacutingas e mutuns a permanecer serão aqueles eternizados nos poemas do saudoso Manoel de Barros”, complementaram.

O estudo está disponível na íntegra na terceira edição da Revista Ciência Pantanal: https://brazil.wcs.org/Wild-Places