O ranking do Instituto Trata Brasil, divulgado nesta semana, coloca o Brasil em 11º lugar entre os países latino-americanos com deficiência no sistema de saneamento básico, atrás de países, como Venezuela, Chile e México. O levantamento revelou que metade da população brasileira não possui coleta de esgoto, enquanto, aproximadamente, 35 milhões de pessoas não têm acesso a água tratada.
Segundo os dados coletados pelo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) em 2014, nos últimos cinco anos, a coleta de esgoto melhorou apenas 3,6 pontos percentuais, sendo que a meta do Plano Nacional de Saneamento Básico é atingir 93% de coleta nacional até 2033.
O ex-presidente da Sabesp e autor do estudo, Gesner Oliveira, estima que neste ritmo, os serviços de saneamento básico só serão universalizados no país a partir de 2050.
De acordo com o relatório, os municípios de Belo Horizonte (MG) e Franca (SP) têm todo o esgoto coletado, seguidos pelas cidades de Piracicaba (SP), Contagem (MG) e Curitiba (PR) – cada uma com coleta de 99%. Enquanto os municípios de Ananindeua e Santarém (Pará) não possuem coleta de esgoto.
O levantamento ainda afirma que R$ 12,2 bilhões, que deveriam ser investidos em todo o território nacional, ficam concentrados nas 100 maiores cidades do Brasil, sendo que 64% das cidades investem menos de 30% do que recebem com a tarifa de água e esgoto.
“O avanço, além de lento, é desproporcional. Só as 20 melhores no ranking de saneamento investem, por habitante, duas vezes e meia a mais do que as 20 piores”, disse Édison Carlos, presidente executivo do Instituto Trata Brasil.
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