O Brasil tem a maior reserva de água doce do mundo, com 12% do total disponível no planeta, mas em 30 anos, 15,7% da superfície de água do país secou.
Pesquisa inédita do MapBiomas mostra que todos os biomas brasileiros foram afetados, como mostra “Brasil Revelado 1985-2020: A dinâmica da superfície de água no território brasileiro – Água” que mapeou a dinâmica da água superficial e de corpos hídricos para todo o território nacional desde 1985.
O estado mais afetado é o Mato Grosso do Sul, que teve mais da metade (57%) de todo o recurso hídrico foi perdido desde 1990, afetando o equilíbrio do bioma Pantanal.
Ao todo, 3,1 milhões de hectares de superfície de água sumiram, o equivalente a mais de uma vez e meia de todo o recurso hídrico disponível no Nordeste em 2020.
Das 12 regiões hidrográficas, oito sofrem os efeitos das mudanças climáticas, do desmatamento, da destruição de mananciais e tudo junto e misturado causa a crise hídrica. “Nesse ritmo vamos chegar a um quarto (25%) de redução da superfície de água do Brasil antes de 2050”, afirmou Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas.
Além do Mato Grosso do Sul, o Mato Grosso perdeu de quase 530 mil hectares e Minas mais de 118 mil hectares.
A maior parte da redução de água está próxima das fronteiras agrícolas, o que sugere que o aumento do consumo e a construção de represas em fazendas, que provocam assoreamento e fragmentação da rede de drenagem, trazem prejuízos para a própria produção.
Na apresentação do estudo, uma informação que espanta: até mesmo a bacia do Rio Negro perdeu superfície de água. Considerando o início e o final da série, foram mais de 360 mil hectares, queda de 22%. A queda mais acentuada ocorreu entre 1999 e 2000, com redução de mais de 560 mil hectares, ou um pouco mais de 27% a menos.
O estudo mostra que após reduções acentuadas, mesmo anos com mais chuvas não são capazes de recuperar o estado inicial. Ou seja, os rios recuperaram, no máximo, parte dessas perdas.





























