Maior parte do desmatamento do cerrado está em áreas privadas

infográfico SAD Cerrado
Lançado nessa segunda (12), o Sistema de Alerta de Desmatamento do Cerrado (SAD Cerrado), uma plataforma virtual aberta produzida pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) em parceria com a rede MapBiomas e com o Lapig (Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento), da UFG (Universidade Federal de Goiás). O IPAM é responsável pelo desenvolvimento da tecnologia que funciona por meio de inteligência artificial e utiliza imagens do satélite Sentinel-2, da Agência Espacial Europeia, com resolução de 10 metros.
“Devido à heterogeneidade das paisagens e à sazonalidade da vegetação, o monitoramento do desmatamento no Cerrado sempre foi muito desafiador. Áreas de vegetação nativa exuberantes na época de chuva podem perder todo o seu vigor na seca, se assemelhando a áreas desmatadas. Além disso, áreas afetadas pelas frequentes queimadas no bioma podem ser confundidas com desmatamento. Nesse contexto, o uso de inteligência artificial e imagens de satélite de alta resolução permitem detectar áreas desmatadas com maior detalhamento e acurácia”, explica Juan Doblas, pesquisador no IPAM responsável pelo SAD Cerrado.
O SAD Cerrado detectou mais de 50 mil alertas em 2022, totalizando 472,8 mil hectares desmatados até o dia 31 de julho. Somente no último trimestre, houve um aumento de 15% na área desmatada no bioma em relação ao mesmo período do ano passado: foram 291,2 mil hectares derrubados, entre maio e julho de 2022, contra 253,4 mil hectares desmatados nesses mesmos meses de 2021.
“Recentemente o ritmo do desmatamento no Cerrado tem acelerado, principalmente em áreas privadas e nos remanescentes de vegetação nativa no Matopiba (região de Cerrado que engloba Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), que acumulou 65% da área desmatada no bioma no primeiro semestre deste ano. Estamos perdendo a savana mais biodiversa do mundo para a agropecuária, com importância vital para a estabilidade climática e hidrológica regional, precisamos agir rapidamente para protegê-la”, acrescenta Julia Shimbo, pesquisadora no IPAM e coordenadora científica do MapBiomas.
Plataforma do SAD Cerrado: http://sadcerrado.ipam.org.br