O que a compostagem tem a ver com a Amazônia?

Foto- divulgação Pref. de Parintins

A compostagem é um processo milenar e uma ótima opção sustentável para o destino do lixo. Mas o que a compostagem tem a ver com a Amazônia? Pouca gente realiza que a Amazônia (e qualquer outra floresta) faz uma compostagem natural, sem a intervenção humana. Na natureza, os restos de animais e vegetais mortos são decompostos e transformados em húmus (material rico em nutrientes que agem como fertilizante e retentor de água) de forma espontânea, renascendo e fertilizando o próprio solo. Eduardo Funari, engenheiro agrônomo e paisagista, explica como funciona a compostagem natural que os humanos “copiaram”: “Essa matéria orgânica protege o solo funcionando como se fosse uma esponja, diminuindo a temperatura da terra, puxando nutrientes como fito fenóis – ótimo para o equilíbrio biológico da planta, pois cria uma microflora e microfauna de fungos, bactérias e pequenos insetos de compositores com capacidade de melhorar toda estrutura do solo. Os humanos recriaram esse processo de forma controlada para enriquecer o solo agrícola e recuperar solos inférteis. Além de ser muito importante para Amazônia onde ocorre a compostagem natural protegendo o solo do aquecimento, a compostagem é usada há mais de 30 anos na agricultura favorecendo o solo para um plantio com menos toxinas”.

A técnica foi para os meios urbanos para diminuir o lixo orgânico despejado em aterros sanitários tradicionais. Hoje aproximadamente 50% do lixo urbano e orgânico e poderia gerar energia e adubo orgânico evitando a emissão de gás metano e o aquecimento global. Fora toda a economia que geraria da economia dos aterros sanitário. Uma vez que os alimentos se decompõem, liberam metano no ar (gás do efeito estufa, 21 vezes mais potente que o CO2), portanto, a redução pode ser essencial para retardar os efeitos do aquecimento global. Porém, a compostagem impede a formação de metano e produz apenas gás carbônico, água e húmus.

E o que é material orgânico urbano? Funari explica: “além do descarte que fazemos nos jardins como folhas, gravetos, terras e podas, temos o que produzimos dentro de casa como ossos, carnes, sopas, gorduras, sementes, cascas etc. A matéria orgânica para o paisagismo urbano é um processo simples de fazer e que não gera cheiros, chorume, não atrai moscas, baratas ou ratos. Todo descarte como folhas, gravetos, gramas, não precisa nem de muito espaço, já que o volume do material coletado diminui em 70% no processo da compostagem. ”

Países como Japão, Coreia, países da Europa e Estados Unidos utilizam a compostagem urbana com leis que preservam o meio ambiente aplicadas para residências, comércio, empresas, instituições públicas e escolas – e cobram multas, em caso de não cumprimento. “No Japão o descarte de lixos no geral é muito caro, então começaram a fazer compostagem em suas casas com o material orgânico. Já na Coreia do Sul, os moradores costumam ter em suas casas uma máquina que consome 60 watts de energia e todo o descarte orgânico é jogado ali. No fundo da caixa existe um filtro biológico que não deixa cheiro e em 8h todo esse descarte se transforma em pó. “, explica Funari.

Em março deste ano (2022), o estado da Califórnia nos Estados Unidos, criou a lei de obrigatoriedade para separar os descartes de todos os resíduos orgânicos, em especial para os restos de comida de casas e comércios – e enviar tudo para compostagem. Uma empresa na Califórnia (Recology) conseguiu evitar que mais de 2 milhões de toneladas de materiais compostáveis fossem para aterros sanitários, além de encaminhar os húmus para agricultores locais usarem-no como fertilizante.

Resíduos orgânicos representam 50% dos resíduos urbanos no Brasil, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente. No Brasil, de acordo com dados da Abrelpe, Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, apenas 1% dos resíduos orgânicos são reciclados.

A compostagem não é apenas um método, mas está prevista como uma ação que deve ser promovida pelo poder público de acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída por meio da Lei 12.305, de 2010.

Funari ensina como cada um pode fazer uma compostagem caseira:

A disponibilidade de espaço é um fator importante, mas a compostagem pode ser feita em qualquer lugar. É possível realizar dentro de garrafas de plástico pet, baldes ou vasos, com diferentes métodos.

São necessários quatro elementos: nitrogênio (dos restos de comida); carbono (serragens, palhas, folhas e galhos secos); da umidade (água) e ventilação. A engenheiro agrônomo Eduardo Funari recomenda que a proporção para um balde de restos de alimentos, por exemplo, são necessárias três medidas de “fonte de carbono”. É preciso que seja úmido, mas nunca encharcado. A pilha deve ser montada por camadas.

Funari alerta que é importante ter drenagem para não ficar empoçado. O engenheiro agrônomo sugere ainda o uso de esterco para ajudar a trazer micro-organismos. Depois, restos orgânicos e, em seguida, uma camada de serragem. E assim vão sendo montadas diversas camadas.  A combinação gera um processo químico com a temperatura quente o suficiente para dificultar o toque. O processo completo pode levar de um mês a 45 dias. O resultado esperado é uma terra preta, que vira um adubo completo e rico em matéria orgânica, excelente para plantio.

Um outro tipo de compostagem é chamado de vermicompostagem, realizada com ajuda de minhocas. Segundo cartilha do Ministério do Meio Ambiente, o mais indicado é realizar esse procedimento em locais fechados, como caixas de plástico, para evitar a fuga das minhocas.

As minhocas devem ser escolhidas entre aquelas que se alimentam de resíduos frescos. Assim como no caso da pilha, é preciso tomar cuidado com a proporção dos elementos para garantir o êxito do processo e evitar que as minhocas morram ou fujam.