Quanto mais poder o consumidor tiver, mais ele transformará os sistemas alimentares, e consequentemente, a cultura alimentar, afirmou o representante da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), Rafael Zavala, em painel na Bio Brazil Fair | Biofach América Latina virtual.
“O novo consumidor será a maneira de transformar a cultura alimentar a partir da demanda. Neste caso, estamos muito perto de dar mais poder ao consumidor e de ir transformando os sistemas alimentares”, disse.
Segundo Zavala, a pandemia de Covid-19 fez as pessoas repensarem sobre os seus hábitos alimentares e consumo, e mostrou que é necessário mudar a nossa cultura e ideologia alimentar. “A nossa ideologia se traduz nas pequenas ações da alimentação e a alimentação se torna em hábitos, que se transforma em cultura”.
O representante da FAO pontuou que cada dia mais temos consumidores mais exigentes, que querem saber a origem dos alimentos e estão preocupados com a pegada de carbono, hídrica e o desperdício dos alimentos.
Para Zavala, há dois tipos de consumidores. Os menos exigentes, que vivem em grandes massas urbanas, tem poucas opções, vão consumir os alimentos menos custosos e não tem consciência da qualidade ou se tem consciência, não tem poder aquisitivo. E existe os consumidores exigentes, com melhor cultura e informação.
“Precisamos de um consumidor mais consciente e mais exigente. Então podemos classificar o mercado de acordo com as exigências”, disse. “Não precisa ter dinheiro para ser exigente. Muitas comunidades têm a exigência de consumir produtos locais e não, necessariamente, são muito mais custosos. A exigência não tem a ver apenas com dinheiro ou capacidade, mas com informação e disciplina”.
Rafael Zavala alerta que é necessário dedicar mais tempo a alimentação, desde a sua produção até o tempo de preparo, a se informar sobre a origem dos alimentos, e preferir produtos frescos e locais.
Uma solução apontada pelo representante da FAO é ir mais vezes ao supermercado, comprar pouco e consumir o que se tem em casa para reduzir o desperdício de alimentos. Fortalecer os circuitos curtos, melhorar as políticas locais que promovam a segurança alimentar, e disponibilizar mais informações sobre o que comemos são fatores primordiais para a mudança no sistema alimentar.
Zavala lembrou que, até 2040, existirão 41 megacidades, que vão demandar muitos alimentos. Então a exportação vai continuar sendo requerida, mas
“Precisamos produzir de maneira sustentável, com melhor uso dos recursos naturais, sobretudo, a disputa da água que vai afetar vários lugares. Temos que mudar a maneira como produzimos, transformamos, processamos e consumimos. Temos que mudar todo o sistema alimentar”, pontuou.






























