A poluição da água no entorno da refinaria Hydro Alunorte, em Barcarena, no Pará, pode ter outras origens, como o lixão municipal a céu aberto, afirma novo relatório da Casa Civil.
“Da visita de campo à comunidade pode-se perceber que há outras possíveis fontes de contaminação, tais como o uso e ocupação de solo de forma desordenada e irregular, complexo industrial e problemas na estrutura de saneamento com destaque para a questão dos resíduos sólidos urbanos onde a existência de um lixão também pode configurar uma fonte de contaminação”, afirma o relatório.
Em vistoria feita em abril, o comitê – formado pelo Ibama, a Casa Civil e os Ministérios da Saúde, Integração Nacional e Direitos Humanos – identificou um canal que leva chorume do lixão a uma nascente do rio Murucupi, como uma possível fonte poluidora da região.
“A precariedade dos serviços disponíveis à comunidade – agravada pelo fato de se localizar em área não regularizada – potencializa o incidente. Assim, o comitê federal deve analisar a contaminação ambiental em Barcarena sem perder de vista o contexto no qual a região se insere”, afirma o documento, criado para acompanhar a contaminação ambiental.
Segundo o ranking da Associação Brasileira de Engenharia Sanitário e Ambiental (Abes), Barcarena não possui tratamento de esgoto e destinação adequada de resíduos sólidos, o que a torna a cidade de grande porte (com mais de 100 mil habitantes) com o pior saneamento do país.
O estudo da Casa Civil contraria a principal conclusão do Instituto Evandro Chagas (IEC), realizado em março. Amostras de água coletadas na região apresentaram altos índices de alumínio, ferro, cobre e chumbo, substâncias presentes nos rejeitos sólidos que vazaram de uma das bacias da Hydro Alunorte.
O canal de chorume não foi levado em consideração nos laudos do IEC. Segundo o pesquisador Marcelo Lima, a análise química do IEC não deixa dúvidas de que efluentes da Hydro Alunorte contaminaram as águas da região. Pela posição geográfica, o lixão não poderia ter tido influência no resultado e por isso não foi levado em conta.
O relatório da Casa Civil não é conclusivo e afirma que os indícios de contaminação precisam ser melhor investigados.
** Com informações da Folha de S.Paulo





























