Degelo na Antártida preocupa cientistas

Mapa elaborado pela ESA mostra a diminuição das regiões essenciais para a preservação do gelo no continente. (Foto: Reprodução)

Dia após dia, um novo alerta é emitido por cientistas do mundo todo sobre os perigos que as mudanças climáticas representam ao nosso planeta. A preocupação mais recente vem do continente mais gelado da Terra. De acordo com a Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês), o derretimento das calotas polares da Antártida pode já ter atingido um ponto crucial, do qual não há mais volta.

O gelo é tão abundante – ou pelo menos era – que possui “safety band”, ou  “cinta de segurança” (em português), composta por gelo flutuante que acompanha o perímetro do continente. A responsabilidade é grande: impedir que as calotas polares simplesmente se desprendam da terra firme e vaguem pelo oceano. O problema é que a extensão da cinta nunca foi tão pequena quanto é hoje. Os dados foram coletados pela ESA e analisados por pesquisadores da Universidade de Erlangen-Nuremberg, na Alemanha, e do Laboratório de Glaciologia e Geofísica do Meio Ambiente (LGGE), em Grenoble, na França.

O cientista Johannes Fürst, do Instituto de Geografia da universidade alemã explica que, uma vez que o gelo consegue ultrapassar essa barreira de segurança e chega ao oceano, a “porteira se abre” para que blocos cada vez maiores tomem o mesmo caminho. “Isso pode implicar uma contribuição considerável para o aumento do nível do mar durante as décadas e os séculos que estão por vir”, afirma.