Hoje os cinemas de todo o Brasil estão prontos para exibir “Procurando Dory”, uma espécie de continuação de “Procurando Nemo” (filme da Disney-Pixar) que mostrou de forma lúdica a vida marinha e várias situações que a ameaçam. Para o lançamento da animação, a apresentadora Ellen DeGeneres, dubladora da versão original da protagonista, concedeu entrevista ao portal Yahoo Movies aonde expressou que o lugar de peixe não é no aquário.
“Acredito que os peixes devem voltar para o oceano. Esta sequência é sobre isso: reabilitar e devolver para os oceanos. Nós temos que proteger nossos oceanos. Ainda bem que esta discussão começa com o filme porque nós realmente precisamos proteger o meio ambiente”.
Quando foi lançado, em 2013, as vendas de peixe palhaço e de cirurgião-patela (as espécies de Nemo e Dory, respectivamente) explodiram. Ellen afirmou que não comprou um na época e espera que isso não aconteça desta vez.
No Mercado Livre, por exemplo, o animal está sendo vendido por R$489 (e o título classifica como “promoção”). Cinco interessados perguntaram o valor do frete e embalagem e um deles registrou que havia efetuado o pagamento e esperava pelo peixe, que só é entregue às terças pelo criador, que garante a entrega dos animais vivos “desde que seja recebido na primeira entrega pela transportadora”.
Na internet já uma petição online com mais de 114 mil assinaturas pedindo que a Disney avise explicitamente antes do filme que as crianças devem encontrar Dory – mas não comprá-la. No Brasil, a página Clube da Biologia traduziu um meme para português com o slogan “Não Encontre Uma Dory”- e já teve mais de 123 mil compartilhamentos. Um deles, inclusive, veio da minha irmã, a engenheira Rita Silva, que já garantiu seu ingresso para levar o meu sobrinho Heitor. Além dela própria ter consciência do caso, também enviou para os grupos de Whatsapp da família (obrigada irmã!) que foi como fiquei sabendo.
À CNN, o biólogo Matt Ferroni considerou que um filme como este é positivo apesar de ter impulsionado uma demanda incorreta nas lojas de animais na década passada. “A espécie de Dory não é criada em cativeiro e não queremos vê-la sendo tirada de seu habitat para ser vendida como aconteceu com o peixe-palhaço. Entretanto, considero o desenho positivo pois as crianças verão o filme e uma nova geração se interessará pelo oceano, a vida marinha, em biologia marinha e o que poderão fazer para salvar o mundo”.
Concordo com a Ellen. O filme é uma boa forma de discutir o tema com crianças e adultos e repensar a proposta dos aquários. Além disso, há o ótimo “Guia Dory Para Fazer Novos Amigos”. Muito bem escrito, as indicações são perfeitas para qualquer um que viva em sociedade. Entre as nove dicas, a minha favorita foi aprender um novo idioma (“ainda que seja baleiês”). Não precisa ser fluente como Dory, apenas algumas palavras são suficientes para despertar a empatia em pessoas que não falam a mesma língua.




























