Entenda como as mudanças climáticas afetam a saúde da população global

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Efeitos são sentidos principalmente pela população mais pobre e vulnerável.

Temos presenciado mudanças severas no clima global. Chuvas torrenciais fora de época, secas prolongadas, ondas de calor muito fortes, entre outros acontecimentos, vêm sendo recorrentes mundo afora. Para além dos prejuízos sociais e financeiros, outro problema se apresenta: as consequências para a saúde das pessoas. A verdade é que saúde e clima são dois temas estreitamente ligados entre si. Como exemplo, temos a poluição causada pelas emissões de gases que afetam o meio ambiente e, consequentemente, os pulmões das pessoas, assim como as secas afetam as plantações, diminuindo a qualidade da alimentação. A Organização Mundial da Saúde apontou em relatório que as mudanças climáticas são uma emergência de saúde a ser urgentemente combatida. A mesma OMS já apontou que a crise do clima global pode acarretar em 150 mil mortes por ano, podendo dobrar até 2030.

A oscilação entre temperaturas muito baixas ou muito altas, bem como a variação entre umidade alta do ar para ar seco, colocam o organismo sob estresse. É o que aponta o pneumologista Ubiratan de Paula Santos, do Instituto do Coração (Incor). Esse estresse pode fazer com que o organismo não regule corretamente a própria temperatura ou até mesmo enfrente um desequilíbrio no funcionamento dos órgãos, como coração, rins e cérebro. O quadro climático que enfrentamos faz com que pessoas com saúde mais vulnerável, como as crianças, os idosos e quem sofre com certas doenças crônicas, possam estar mais expostas a internações ou até mesmo óbitos por infarto ou AVC, por exemplo.

As vias respiratórias são as principais vítimas do tempo seco. O ressecamento das vias aéreas tende a causar infecções, segundo o Dr. Arlindo Lima Neto, médico otorrinolaringologista do Hospital Santo Antônio de Votorantim, em São Paulo. Novamente, são os idosos, crianças e portadores de doenças crônicas que mais sofrem. Como consequência, agravam-se casos de rinites, sinusites, bronquites e pneumonias. O tempo seco é causado principalmente pelo aumento da temperatura e baixa umidade do ar, resultado da queima de combustíveis e da emissão de gases poluentes.

Para além das consequências diretas das mudanças climáticas sobre a saúde da população, ainda existem os efeitos indiretos. A alteração na qualidade das águas, da comida e os efeitos no equilíbrio ecológico também são dignos de preocupação. A elevação da temperatura terrestre é um fator importante no aumento da reprodução de mosquitos vetores de doenças, como dengue e Chagas. A seca pode causar perda na qualidade das safras de alimentos, provocando uma queda na qualidade dos mesmos. Por consequência, uma alimentação menos nutritiva pode agravar seriamente a saúde das pessoas.

Para diminuir os efeitos negativos à saúde, algumas medidas podem ser tomadas. A principal é se manter hidratado, consumindo ao menos 2 litros de água por dia. Deve-se praticar exercícios físicos moderados regularmente, preferindo os horários menos quentes do dia. Procurar manter a casa sempre limpa e arejada, e caso precise sair, evite aglomerações e locais com ar-condicionado, pois este resseca o ar. Se puder, invista em um umidificador de ar também. A receita caseira de deixar uma bacia de água no ambiente também pode ser eficaz. Por fim, consulte-se sempre com um profissional capacitado por um curso de medicina para orientar-se corretamente sobre como cuidar de sua saúde!