Os bombeiros e voluntários estão conseguindo controlar o incêndio, que consome o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, desde o dia 10 de outubro. Mais de 62 mil hectares já foram atingidos, o equivalente a 25,2% do total da área do parque.
O anúncio foi feito pelo secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente, Marcelo Cruz, que assumiu a pasta interinamente após a exoneração do ministro Sarney Filho.
De acordo com a autoridade, as frentes de incêndio no Vale da Lua, na região de Mulungu e na Cara Preta foram apagadas. Brigadistas ainda trabalham para evitar o surgimento de novos focos na área.
Os esforços estão concentrados agora para combater as chamas da terceira linha, nas serras de Santana e do Ministro, que são de difícil acesso.
“As linhas de incêndio já estão sendo controladas. As condições climáticas estão nos permitindo atuar também à noite, ou seja, 24 horas por dia”, afirmou Cruz. “Estamos centrando esforços para conseguir conter o incêndio na terceira linha, que fica fora dos limites do parque nacional”, complementou.
Cerca de 200 brigadistas e bombeiros e 100 voluntários se revezam noite e dia. A Força Aérea Brasileira (FAB) está auxiliando o combate com uma aeronave Hércules C-130.
“Todos os nossos contratos (de aviões-tanque, brigadistas e suprimentos) foram acionados para combater esse incêndio e temos respaldo do Ministério (do Meio Ambiente) para alocar mais recursos, caso seja necessário”, afirmou o presidente do ICMBio, Ricardo Soavinski.
Este é um dos piores incêndios a atingir o parque desde a sua criação em 1961. Para Cruz, a operação de combate pode ser considerada um sucesso, se forem levadas em consideração as condições climáticas que os brigadistas e voluntários enfrentaram.
“Pode parecer um paradoxo, mas o incêndio que está ocorrendo é o maior da história. As condições climáticas estão bastante severas, não só no Cerrado, mas no país inteiro. As temperaturas estão elevadas, o clima está muito seco, a estiagem foi muito maior que em anos anteriores e os ventos estão mais fortes”, comentou Cruz.
“Só que, este ano, a estiagem está sendo mais prolongada, principalmente no Cerrado. Já era para estar chovendo, mas continuamos com temperaturas muito altas e clima muito seco”, complementou.
Incêndio criminoso
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) acredita que o incêndio é criminoso. Um dos motivos que pode ter causado o crime é a ampliação da área do parque de 65 mil para 240 mil hectares.
Para o diretor do órgão Fernando Tatagiba, há indícios de uma atuação criminosa. “O fato de o incêndio ter surgido no interior do aceiro (barreira para contenção do fogo) me leva a crer que alguém adentrou no parque e botou fogo. Não temos elementos para dizer quem é o responsável, mas podemos dizer, com certeza, que é criminoso”, disse Tatagiba ao Metrópoles.
A Polícia Militar do Estado de Goiás foi acionada e está investigando o caso. Colocar fogo em mata está enquadrado na lei de crimes ambientais e tem punição prevista de 2 a 4 anos de prisão.
“Caso o cidadão seja identificado, ele será responsabilizado por crime ambiental, passível de até quatro anos de reclusão. Também será multado em até R$ 5 mil reais por hectare queimado”, disse o diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Luciano Evaristo.
Com a estimativa de área queimada, se o cidadão for identificado e for determinado o pagamento do valor total, a multa aplicada será superior a R$310 mil.
** Com informações do Metrópoles





























