A dengue é transmitida, no Brasil, através do mosquito Aedes aegypti. Atualmente, é considerada um dos principais problemas de saúde pública de todo o mundo, portanto, todo cuidado é necessário.
O mosquito
O mosquito da dengue é menor que os mosquitos comuns. Tem, em média, 0,5 cm de comprimento. Ele é preto com pequenos riscos brancos no dorso, na cabeça e nas pernas. Suas asas são translúcidas e o ruído que produzem é praticamente inaudível ao ser humano. O macho alimenta-se de frutas ou outros vegetais adocicados. Já as fêmeas se alimentam de sangue animal, principalmente humano, aplicando uma substância anestésica, fazendo com que não haja dor na picada. Costumam picar o ser humano no começo da manhã ou no final da tarde nas regiões dos pés, tornozelos e pernas. Isto ocorre, pois costumam voar a uma altura máxima de meio metro do solo.
Aspectos Epidemiológicos
A dengue é uma doença febril aguda, de etiologia viral e de evolução benigna na forma clássica, e grave quando se apresenta na forma hemorrágica.
História
A dengue é conhecida no Brasil desde os tempos de colônia. O mosquito Aedes aegypti tem origem africana. Ele chegou ao Brasil junto com os navios negreiros, depois de uma longa viagem de seus ovos dentro dos depósitos de água das embarcações.
O primeiro caso da doença foi registrado em 1685, em Recife (PE). Em 1692, a dengue provocou duas mil mortes em Salvador (BA), reaparecendo em novo surto em 1792. Em 1846, o mosquito Aedes aegypti tornou-se conhecido quando uma epidemia de dengue atingiu o Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. Entre 1851 e 1853 e em 1916, São Paulo foi atingida por epidemias da doença.
Em 1903, Oswaldo Cruz, então Diretor Geral da Saúde Pública, implantou um programa de combate ao mosquito que alcançou seu auge em 1909. Em 1957, anunciou-se que a doença estava erradicada do Brasil, embora os casos continuassem ocorrendo até 1982, quando houve uma epidemia em Roraima. Em 1986, foram registradas epidemias nos estados do Rio de Janeiro, de Alagoas e do Ceará. Nos anos seguintes, outros estados brasileiros foram afetados.
No Rio de Janeiro ocorreram duas grandes epidemias. A primeira, em 1986-87, com cerca de 90 mil casos; e a segunda, em 1990-91, com aproximadamente 100 mil casos confirmados. A partir de 1995, a dengue passou a ser registrada em todas as regiões do país. Em 1998 ocorreram 570.148 casos de dengue no Brasil; em 1999 foram registrados 204.210 e, em 2000, até a primeira semana de março, 6.104.
Século XXI
Em 2006, o número de casos de dengue voltou a crescer no país. Segundo dados do Ministério da Saúde, entre janeiro e setembro de 2006 foram registrados 279.241 casos de dengue o equivalente a um caso (não fatal) para cada 30 km² do território, um crescimento de 26,3% em relação ao mesmo período em 2005. A região com maior incidência foi a Sudeste.
A epidemia de 2008 superou, em número de vítimas fatais, a epidemia de 2002, na qual 91 pessoas morreram. Nos últimos anos, outros estados do Brasil também registraram uma epidemia de Dengue.
A dengue hemorrágica está entre as dez principais causas de hospitalização e morte de crianças em países da Ásia tropical. Nas Américas, a primeira epidemia de dengue hemorrágica que se tem notícia ocorreu em Cuba, em 1981.
Modo de Transmissão
A transmissão se faz pela picada do Aedes aegypti, no ciclo homem – Aedes aegypti – homem. O mosquito fica apto a transmitir o vírus, depois de 8 a 12 dias de incubação. A transmissão mecânica também é possível, quando o repasto é interrompido e o mosquito, imediatamente, se alimenta num hospedeiro suscetível próximo. Não há transmissão por contato direto de um doente ou de suas secreções com uma pessoa sadia, nem de fontes de água ou alimento.
Tipos
Existem quatro sorotipos de dengue: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4. O vírus tipo 4 não era registrado no Brasil há 28 anos, mas em 2010 foi notificado em alguns estados, como o Amazonas e Roraima, apresentando risco às pessoas já contaminadas com os vírus 1, 2 ou 3, que são vulneráveis à manifestação alternativa da doença. Complicações podem levar pessoas infectadas ao desenvolvimento de dengue hemorrágica.
Manifestação no organismo
Existem quatro síndromes clínicas da dengue:
- Febre indiferenciada
A febre indiferenciada é a manifestação mais comum e frequente da dengue. A infecção, em sua forma de febre indiferenciada, não difere das viroses habituais.

- Febre de dengue (Dengue Clássica)
A Dengue Clássica é uma enfermidade viral aguda que pode ser diferenciada por: febre, de início súbito; dor atrás do olho (retro-ocular) e forte dor de cabeça (cefaleia) às vezes muito intensa; dores nos músculos (mialgias) e nas juntas (artralgias) que podem ser relatadas como muito intensas; vômitos de difícil controle e/ou náuseas; erupção cutânea (exantema) que pode surgir em diferentes momentos da doença, com aspecto variável, desde predominância de petéquias (pontos de sangue) até somente eritematosa (avermelhada). Em pessoas de pele mais clara se notam mais as petéquias e o eritema, nas de pele mais escura chama atenção o aspecto maculopapular (manchas com alguma elevação).
- Dengue Hemorrágica (DH)
Até 33% dos infectados podem desenvolver manifestações hemorrágicas. Estas hemorragias como regra são de mínima gravidade.
São mais características as hemorragias cutâneas: petéquia, púrpura, equimose; gengivorragia,(sangramento gengival); sangramento nasal (epistaxe); sangramento gastrointestinal: hematemesis (vômito com sangue); melena (evacuação de sangue digerido, fezes pretas) e hematoquezia ( sangue misturado com fezes); Hematúria (sangue na urina) e aumento do fluxo menstrual. Estas hemorragias variam largamente desde leves até intensas e graves podendo desencadear choque por perda de sangue.
Para a definição clínica de Dengue Hemorrágica (DH), alguns critérios da OMS (Organização Mundial da Saúde) precisam ser levados em consideração:
História recente de doença febril aguda ou atual; hemorragias na doença atual; contagem baixa de plaquetas, com número inferior a 100.000/mm³ e evidência objetiva de aumento da permeabilidade capilar, ou seja:
* hematócrito elevado (20% a mais do usual);
* baixa da albumina do sangue (albuminemia baixa);
* baixa da proteína do sangue (proteinemia baixa);
* derrame pleural ou outras efusões (derrames).
Níveis
Nível 1: Sintomas constitucionais inespecíficos e febre. A prova do torniquete positiva é a única manifestação hemorrágica.
Nível 2: Manifestações do nível 1 + hemorragia espontânea.
Nível 3: Sinais de insuficiência circulatória (taquicardia, pulso fraco, redução da tensão diferencial, hipotensão para a idade determinada, pele fria e úmida).
Nível 4: Choque profundo (pulso e pressão arterial indetectáveis)
A diferença básica entre a febre da Dengue Clássica e a Dengue Hemorrágica é o extravasamento de plasma na DH, podendo-se induzir que a correção efetiva da desidratação pode ser a diferença entre a vida e a morte.
- Síndrome do choque da Dengue
Os sintomas exigidos são: presença dos critérios de Dengue Hemorrágica (DH) e insuficiência circulatória manifestada por pulso fraco (amplitude diminuída); aumento da frequência cardíaca; diminuição da pressão do sangue em relação à idade referida; redução das diferenças da tensão entre pressão Máxima e Mínima igual ou menor a 20 mm Hg; mudança do estado mental e pele úmida e fria.
É importante ficar alerta sobre os sinais de choque iminente. Embora a maioria dos pacientes com DH não desenvolva choque, a presença de certos sinais alertam para a provável instalação da insuficiência circulatória (choque).São eles: dor abdominal persistente e muito forte; vômitos incoercíveis; mudança repentina da temperatura do corpo, acompanhada de sudorese e alteração do comportamento, variando de sonolência à agitação.

Tratamentos
Não existe tratamento curativo. O mais aconselhável é que sejam seguidas algumas regras para que a melhora do paciente com dengue seja mais rápida e eficaz. Portanto, ele deve assegurar a hidratação, aliviando os sintomas como, dor, febre e vômitos; usar antipiréticos e analgésicos de acordo com prescrição médica; evitar o uso de aspirina e fármacos anti-inflamatórios não esteroides, protegendo assim a função plaquetária; vigiar a insuficiência circulatória através de pressão sanguínea, hematócrito, contagem de plaquetas e nível de consciência, além de repousar e se alimentar de forma adequada.
Como se prevenir
A ação mais simples para prevenção da dengue é evitar o nascimento do mosquito, já que não existem vacinas ou medicamentos que combatam a contaminação. Para isso, é preciso eliminar os lugares que eles escolhem para a reprodução. A regra básica é não deixar a água, principalmente limpa, parada em qualquer tipo de recipiente. Informações do site “Combate a Dengue”, apontam como é simples a prevenção:
“Como a proliferação do mosquito da dengue é rápida, além das iniciativas governamentais, é importantíssimo que a população também colabore para interromper o ciclo de transmissão e contaminação. Para ter uma ideia, em 45 dias de vida, um único mosquito pode contaminar até 300 pessoas. Então, a dica é manter recipientes, como caixas d’água, barris, tambores tanques e cisternas, devidamente fechados. E não deixar água parada em locais como: vidros, potes, pratos e vasos de plantas ou flores, garrafas, latas, pneus, panelas, calhas de telhados, bandejas, bacias, drenos de escoamento, canaletas, blocos de cimento, urnas de cemitério, folhas de plantas, tocos e bambus, buracos de árvores, além de outros locais em que a água da chuva é coletada ou armazenada. É bom lembrar que o ovo do mosquito da dengue pode sobreviver até 450 dias, mesmo se o local onde foi depositado o ovo estiver seco. Caso a área receba água novamente, o ovo ficará ativo e pode atingir a fase adulta em um espaço de tempo entre dois e três dias. Por isso é importante eliminar água e lavar os recipientes com água e sabão”.
Outras recomendações
*Lave bem os pratos de plantas e xaxins, passando um pano ou uma bucha para eliminar completamente os ovos dos mosquitos;
*Uma boa solução é trocar a água por areia molhada nos pratinhos das plantas;
*Limpe as calhas e as lajes das casas;
* Lave bebedouros de aves e animais com uma escova ou bucha e troque a água pelo menos uma vez por semana;
*Guarde as garrafas vazias de cabeça para baixo;
* Jogue no lixo copos descartáveis, tampinhas de garrafas, latas e tudo o que acumula água. Mas atenção: o lixo deve ficar o tempo todo fechado;
*Fure as folhas das bromélias para não acumular água;
* Mantenha os ralos fechados.

Incidência Anual
O 36º Boletim Epidemiológico da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde fez um comparativo regional de casos prováveis de dengue entre 2014 e 2015:
- Na região Norte, o estado mais atingido pela Dengue foi o Acre: a cada 100 mil habitantes, cerca de 2.672 casos foram registrados em 2014, índice que diminuiu em 2015, com aproximadamente, 685 casos.
- No Nordeste, Alagoas registrou a maior incidência com 375 casos em 2014. Em 2015, o estado que levou este título foi Pernambuco, com 901 casos a cada 100 mil habitantes.
- São Paulo tem números alarmantes. Em 2014, a cada 100 mil pessoas residentes no estado, 499 estavam com suspeita de Dengue. Esse número triplicou em 2015, sendo registrados cerca de 1.615 casos, o maior índice do Sudeste.
- O Sul do Brasil apresentou poucos casos prováveis de contágio da doença. Em 2014, no Paraná, a cada 100 mil pessoas, apenas 200 estavam com suspeita de Dengue, enquanto em 2015, este índice cresceu para 412 indivíduos.
- Em 2014, Goiás liderou o ranking do Centro-Oeste atingindo 1.341 casos a cada 100 mil habitantes. Em 2015, o número aumentou para 2.314 pessoas contagiadas pelo mosquito Aedes-aegypti.
A tabela abaixo mostra os dados comparativos de todos os estados brasileiros entre casos e incidência da Dengue:

Casos graves e óbitos
Até o início de novembro de 2015, foram confirmados 1.488 casos de Dengue grave e 18.832 casos de Dengue com sinais de alarme. Foram confirmados 811 óbitos por Dengue, o que representa um aumento no país de 79% em comparação com o mesmo período de 2014, quando foram confirmados 453 óbitos.


























