Lançada compilação inédita de dados da Amazônia Legal

(Foto: Unsplash)

A rede Uma Concertação pela Amazônia, em parceria com a MacroPlan e a Página22, lança, nesta quarta-feira (24), a Plataforma Amazônia Legal em Dados, uma iniciativa pioneira que permite uma visão integrada dos nove estados que compõem a Amazônia Legal.

O novo hub de inteligência estratégica pretende gerar informações para apoiar o desenvolvimento sustentável no bioma, a partir de dados que permitem uma análise evolutiva e comparativa nos últimos dez anos e de dados recentes de toda a região Amazônica.

Aberta ao público, a plataforma reúne 113 indicadores agrupados em 11 temas, como demografia, educação, saúde, meio ambiente, entre outros. A ferramenta possibilita a análise das “Quatro Amazônias”: as cidades, a Região Antropizada (áreas convertidas ao longo do tempo), a Região Conservada (áreas preservadas) e a Região de Transição (que está entre as duas últimas regiões).

Para Francisco Gaetani, professor da FGV e fellow do Instituto Arapyaú, os dados disponíveis ajudarão a embasar conversas com o governo federal, empresários, doadores e a sociedade civil organizada para o desenvolvimento da região.

“A Amazônia é o maior ativo estratégico do Brasil. É um ativo ainda em grande parte desconhecido, grande parte inexplorado e que depende dos brasileiros para construir um projeto de desenvolvimento, inclusivo, sustentável e inovador que faça jus a liderança natural do Brasil na América Latina e no que diz respeito a mudança climática no mundo”, avalia Gaetani.

Atualmente, a fragmentação dos volumes de informação e de iniciativas dificulta a tomada de decisão e o desenvolvimento socioeconômico dos 808 municípios que estão no bioma, onde vive 14% da população brasileira.

O governador do Maranhão, Flávio Dino, ressalta que a Amazônia não é um bloco homogêneo e a sua população possui diferentes realidades. Neste sentido, a plataforma auxiliará os gestores públicos a formular e implementar políticas para transformar a qualidade de vida, cumprir as metas do Acordo de Paris e a tangibilizar o pagamento de serviços ambientais.

“Dados, informações e conhecimento são essenciais para que isso ocorra. Não vai se estabelecer um mecanismo de mercado ou mesmo parcerias assertadas na voluntariedade, se nós não tivermos dados confiáveis, que possam embasar esses projetos, que possam dar sustentação e gerar captação de recursos para a sociedade”, disse o governador. “Nós temos que cuidar da fiscalização, do comando, do controle sobre as atividades predatórias, sobre o desmatamento e queimadas ilegais. Mas acima de tudo, precisamos de um ambiente institucional e social que propicie incentivos econômicos a um modelo diferente de desenvolvimento”, disse Dino.

Apesar da região ter muitos desafios, há muito potencial e oportunidade. Segundo Gustavo Morelli, economista e sócio-diretor da Macropan, a Amazônia Legal foi a região que mais cresceu no Brasil entre 2008 e 2018, com um aumento de 1,5 ponto percentual no Produto Interno Bruto (PIB) em relação ao PIB nacional. Teve ainda o maior incremento médio per capita entre todas as regiões.

A Plataforma Amazônia Legal em Dados também permite analisar onde a região vai melhor do que o resto do Brasil, onde perde participação e onde está pior e está melhorando, em seis características.

Com o lançamento da ferramenta, a expectativa é facilitar a negociação para alocar recursos e investimentos para o desenvolvimento sustentável da região.

“O nosso país não pode pretender ser apenas uma plantação do século 21, uma agricultura exportadora, com monoculturas e que não gera ciclos de prosperidade para todos. Quando falamos de sociobiodiversidade, estamos falando de um novo modelo de desenvolvimento, que chegue aos lares dos brasileiros mais humildes”, pontua o governador.