Na véspera da entrada do Acordo de Paris em vigor, o Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas (PNUMA) divulgou novo relatório em que apresenta a diferença entre as emissões de gases de efeito estufa que os países prometeram e o que efetivamente é necessário para manter a temperatura do planeta em um nível seguro.
O estudo UNEP Emissions Gap Report constatou que as emissões em 2030 deverão atingir de 54 a 56 gigatoneladas de dióxido de carbono. O estipulado pelos países é atingir 42 gigatoneladas para que haja uma chance de limitar o aquecimento global a 2ºC neste século.
Para se ter uma ideia, uma gigatonelada corresponde, aproximadamente, as emissões geradas pelos transportes na União Europeia (incluindo a aviação) ao longo de um ano.
Mesmo se as propostas do Acordo de Paris forem totalmente realizadas, as emissões previstas para 2030 colocam o mundo na rota de um aumento de temperatura de 2,9°C a 3,4°C neste século.
“Estamos avançando na direção certa: o Acordo de Paris irá desacelerar as alterações climáticas, assim como a recente Emenda de Kigali para reduzir os HFCs”, afirma Erik Solheim, chefe do Programa de Meio Ambiente da ONU. “Ambos mostram forte compromisso, mas ainda não o suficiente se quisermos ter uma chance de evitar graves mudanças climáticas. Se não começarmos a adotar medidas adicionais agora, começando com a próxima reunião climática em Marrakesh, vamos lamentar uma tragédia humana evitável. O crescente número de refugiados climáticos atingidos pela fome, pobreza, doença e conflito será um lembrete constante do nosso fracasso. A ciência mostra que precisamos nos mover muito mais rápido”, completou.
A necessidade dessas ações urgentes foi reforçada pelo fato de que 2015 foi o ano mais quente desde que começou o acompanhamento da temperatura do planeta. A tendência continua, com todos os primeiros seis meses de 2016 sendo os mais quentes já registrados. No entanto, as emissões continuam a aumentar, segundo o relatório.
Atores não estatais (como o setor privado, as cidades, as regiões e outros atores subnacionais, como grupos de cidadãos) podem reduzir várias gigatoneladas até 2030 em áreas como agricultura e transportes, desde que muitas iniciativas cumpram seus objetivos e não substituam outras ações.
A eficiência energética é outra área onde o investimento poderia trazer maiores ganhos. Os investimentos em eficiência energética aumentaram 6% para US$221 bilhões em 2015, indicando que já estão ocorrendo ações. Estudos mostram que, para um investimento entre 20 e 100 dólares por tonelada de dióxido de carbono, o potencial de redução de emissões gerado pela eficiência energética (em gigatoneladas) até 2030 é de 5,9 para edifícios, 4,1 para indústria e 2,1 para transportes.
O documento ainda mostra que o impacto da mudança climática pode atrasar a capacidade dos países de cumprirem as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU até 2030 e o fracasso em cumprir a meta de ação climática terá implicações ainda maiores para manter o progresso do desenvolvimento pós-2030.
Para baixar o Emissions Gap Report, acesse: http://web.unep.org/emissionsgap/
** Com informações da ONU





























