Brumadinho: Ministério Público denuncia 16 pessoas e empresas por homicídio doloso

(Foto: Corpo de Bombeiros/ Divulgação)

O Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG) denunciou o ex-presidente da Vale, Fabio Schvartsman, mais 15 pessoas, a Vale e a empresa Tüv Süd pelo crime de homicídio doloso, quando há intenção de matar.

Segundo o coordenador do núcleo criminal da força-tarefa do Ministério Público, William Garcia Pinto Coelho, a Vale e TÜV SÜD emitiram falsas declarações de condição de estabilidade (DCE) de, pelo menos, dez barragens, chamadas de “top 10”. A lista de barragens em ‘situação inaceitável de segurança’ era mantida em sigilo 

O Ministério Público averiguou que a ocultação de informações sobre barragens acontece desde novembro de 2017 e havia uma “caixa-preta” na Vale que omitia o real risco de algumas de suas estruturas. 

“Depois do rompimento da B1, diversas medidas se seguiram notadamente nas comarcas de Cocais, Mariana, Itabirito, Nova Lima, Ouro Preto, Sabará, direta ou indiretamente com que já se reconhecia internamente pela Vale em conluio com a TÜV”, disse o promotor.

A denúncia foi feita às vésperas do rompimento da barragem em Brumadinho completar um ano. No dia 25 de janeiro do ano passado, a barragem I da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, se rompeu e deixou 270 mortos. Destes, 250 foram identificados e 11 continuam desaparecidos.

Foram indiciados:

Vale:

  • Fabio Schvartsman (diretor-presidente);
  • Silmar Magalhães Silva (diretor do Corredor Sudeste);
  • Lúcio Flavo Gallon Cavalli (diretor de Planejamento e Desenvolvimento de Ferrosos e Carvão);
  • Joaquim Pedro de Toledo (gerente-executivo de Planejamento, Programação e Gestão do Corredor Sudeste);
  • Alexandre de Paula Campanha (gerente-executivo de Governança em Geotecnia e Fechamento de Mina);
  • Renzo Albieri Guimarães de Carvalho (gerente operacional de Geotecnia do Corredor Sudeste);
  • Marilene Christina Oliveira Lopes de Assis Araújo (gerente de Gestão de Estruturas Geotécnicas);
  • César Augusto Paulino Grandchamp (especialista técnico em Geotecnia do Corredor Sudeste);
  • Cristina Heloíza da Silva Malheiros (engenheira sênior junto à Gerência de Geotecnia Operacional);
  • Washington Pirete da Silva (engenheiro especialista da Gerência Executiva de Governança em Geotecnia e Fechamento de Mina);
  • Felipe Figueiredo Rocha (engenheiro civil, atuava na Gerência de Gestão de Estruturas Geotécnicas).

Tüv Süd:

  • Chris-Peter Meier (gerente-geral da empresa);
  • Arsênio Negro Júnior (consultor técnico);
  • André Jum Yassuda (consultor técnico);
  • Makoto Namba (coordenador);
  • Marlísio Oliveira Cecílio Júnior (especialista técnico)

A Tüv Süd disse que está cooperando com as “autoridades e instituições no Brasil e na Alemanha no contexto das investigações em andamento”. “Até que se apurem as reais causas do acidente de forma conclusiva, a Tüv Süd não poderá fornecer mais informações sobre o caso”, disse em nota.

Vale afirmou que “expressa sua perplexidade ante as acusações de dolo” e que “é importante lembrar que outros órgãos também investigam o caso, sendo prematuro apontar assunção de risco consciente para provocar uma deliberada ruptura da barragem”