Grupo de investidores pede reunião com governo sobre crise ambiental

Área desmatada da Floresta Amazônica, no Pará. (Foto: Daniel Beltrá/ Greenpeace)

Um grupo de 29 investidores internacionais enviou uma carta às embaixadas do Brasil em seis países, em que solicitam reuniões com os embaixadores para discutir as políticas ambientais brasileiras.

Liderado pela norueguesa Storebrand, o grupo é integrado por fundos da Europa, dos EUA e da Ásia com ativos de US$ 3,6 trilhões.

Para os investidores internacionais, a postura do governo federal em relação ao desmatamento e à proteção dos direitos humanos aumenta o “risco Brasil”, potencializando a fuga de capital do país.

Na carta, os investidores mencionam as declarações do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, durante a reunião do dia 22 de abril. Na ocasião, o ministro afirmou que o governo deveria aproveitar a pandemia de Covid-19 para passar a “boiada”, ou seja, avançar na desregulação ambiental, como o PL da grilagem e o PL que permite mineração em terras indígenas.

Esta é a primeira vez que investidores pedem formalmente um diálogo com representantes do governo brasileiro sobre assuntos internos do Brasil. No ano passado, a maioria dos signatários da carta já haviam integrado um grupo maior, de 251 investidores, que expressou preocupação com a crise das queimadas na Amazônia.

“Considerando o aumento das taxas de desmatamento no Brasil, estamos preocupados com a dificuldade das empresas que podem estar expostas ao desmatamento em suas operações e cadeias de suprimentos no Brasil em acessar os mercados internacionais. Também é provável que os títulos públicos brasileiros sejam considerados de alto risco se o desmatamento continuar”, afirma a carta.

O pedido de conversa pode ser sobre desinvestimento, que teria impacto para exportações brasileiras e para a geração de empregos no país no momento da recessão pós-pandemia.

“Queremos continuar investindo no Brasil e ajudar a mostrar que o desenvolvimento econômico e a proteção do meio ambiente não precisam ser mutuamente exclusivos. Portanto, instamos o governo do Brasil a demonstrar um claro compromisso com a eliminação do desmatamento e a proteção dos direitos dos povos indígenas”, afirma a Storebrand em nome do grupo.

Uma análise de um grupo de pesquisadores da London School of Economics (LSE) sobre os títulos públicos brasileiros revelou que a produção agrícola nacional poderá sofrer importantes perdas como consequência do desmatamento e do sistema atual de gestão ambiental.

Entre as consequências apontadas estão o aumento na frequência das secas, degradação da qualidade e fertilidade do solo, redução da biodiversidade e aumento da exposição a desastres naturais.