Monsanto vai a julgamento sob acusação de agrotóxico ser agente cancerígeno

(Foto: Robyn Beck/ AFP)

O jardineiro californiano Dewayne “Lee” Johnson entrou com um processo contra a Monsanto, acusada de ter ocultado o perigo cancerígeno do herbicida Roundup, um dos mais utilizados no mundo.

O caso é o primeiro a chegar a julgamento alegando vínculo cancerígeno. O processo envolve estudos e alegações de que a empresa, recentemente adquirida pela Bayer, foi conivente para impedir uma pesquisa potencialmente condenatória.

Johnson foi diagnosticado em 2014 com linfoma não Hodgkin, câncer em fase terminal que afeta os glóbulos brancos. Em seu depoimento no tribunal, ele informou ter pulverizado 150 galões do herbicida entre 20 e 30 vezes por ano, como jardineiro do distrito escolar de Benicia, a nordeste de São Francisco.

Apesar de usar equipamentos de proteção extensivos durante a pulverização, ele estava frequentemente exposto aos produtos químicos Roundup e Ranger Pro, ambos da empresa. Johnson contou que depois de começar a pulverizar e sofrer exposições, adoeceu e começou a ver erupções cutâneas, lesões e feridas por todo o corpo.

A Monsanto nega qualquer vínculo com a doença e afirma que o produto é seguro. Em entrevista à CBS São Francisco, a advogada da empresa, Sandra Edwards, afirmou que a empresa tem “uma enorme simpatia pelo Sr. Johnson e pela sua família”, mas que “os 40 anos de ciência e dados e experiência com este produto mostram que ele não causa câncer”.

Os advogados do jardineiro alegaram no tribunal que a Monsanto “lutou contra a ciência” ao longo dos anos e trabalhou para “intimidar” os pesquisadores que levantaram preocupações sobre os potenciais ricos à saúde do seu produto.

Em 2015, a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer classificou o glifosato, principal ingrediente do Roundup, como “potencialmente cancerígeno para humanos”.

O julgamento deve ser concluído em 10 de agosto. Se a Monsanto perder, o caso pode abrir a porta para centenas de outros processos contra a empresa.

** Com informações do France Presse, The Guardian e da CBS News