Matéria do Repórter Brasil, assinada por DANIEL CAMARGOS FORA mostra que, enquanto chefes de Estado debaterão metas e acordos, na chamada Blue Zone (Zona Azul), por onde vão circular também diplomatas, ministros, chefes de delegação e lobistas, os movimentos sociais, indígenas e comunidades amazônicas preparam suas agendas por justiça climática.
Três espaços se destacam nessa mobilização: a COP do Povo, formada por associações de base da Amazônia; a Cúpula dos Povos, que reúne organizações nacionais e internacionais; e a Aldeia COP, espaço índigena para influenciar nas negociações climáticas.
Destaque para o Tribunal dos Povos contra o Ecogenocídio, marcado para 13 e 14 de novembro, que vai julgar simbolicamente 17 casos de violação de direitos humanos e de degradação da natureza, reunidos por comunidades afetadas em diferentes regiões do país, sobretudo na Amazônia.
“Vamos fazer um momento simbólico de análise coletiva e de constrangimento”, explica o engenheiro florestal Carlos Augusto Pantoja Ramos, doutorando na UFPA (Universidade Federal do Pará) e um dos organizadores. Ele também atuará como especialista, durante um dos julgamentos, nos casos de mercado de carbono: “Esse mercado é um novo modelo de expropriação de terras pelo capital. Vamos expor isso”, antecipa.
Diferente da COP do Povo, a Cúpula tem retoma eventos como o Fórum Global da Rio-92 e a Cúpula da Rio+20. A expectativa é reunir até 20 mil pessoas, representando mais de mil organizações do Brasil e do exterior.
Pablo Neri, membro da coordenação nacional do MST explica: “A COP do Povo é formada por associações de base da Amazônia, enquanto a Cúpula é formada por associações e federações de todo o planeta”.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Márcio Macêdo, disse que a Cúpula será “um dos grandes momentos da COP30” e que “não existe política pública sustentável sem participação popular”.
Na programação da Cúpula estão previstas uma marcha pelas ruas de Belém, uma barqueata e um banquetaço amazônico com agricultores e cozinhas comunitárias. O encerramento prevê a entrega da Declaração dos Povos ao presidente da COP 30, embaixador André Corrêa do Lago, que se comprometeu a ler o documento na plenária oficial.
oficiais e defendem que a demarcação de terras indígenas seja reconhecida como medida climática efetiva, considerando que esses territórios concentram grandes áreas de floresta preservada e reservas de água do país.
“Estamos organizando tudo com muito carinho, com muito gosto, para ser um espaço indígena na história das COPs”, afirmou a ministra Sonia Guajajara.

























