Preço alto e falta de informação atrapalham o crescimento do mercado orgânicos

Foto: Luciana Almeida - todos os direitos reservados.

Muitos consumidores estão mais preocupados e conscientes com os produtos que consomem e buscam alternativas para ter uma alimentação mais saudável. Os alimentos orgânicos e/ou naturais se tornaram uma das opções mais procuradas nos supermercados.

Segundo dados do Ministério da Agricultura, o número de produtores orgânicos cresceu mais de 50% entre janeiro de 2014 e janeiro de 2015 em todo o país, sendo a região nordeste com pouco mais de 4.000 propriedades, enquanto o Sudeste detém a maior área de produção nacional.

De acordo com o Projeto Organics Brasil, o segmento movimentou cerca de R$ 2 bilhões no Brasil e a expectativa para 2015 é um faturamento de R$ 2,5 bilhões. Os números brasileiros ainda são pequenos em comparação ao faturamento dos Estados Unidos (US$ 35 bilhões), da Alemanha (US$ 7 bilhões) e do Canadá (US$ 4,4 bilhões).

“Esse é o reflexo do mercado. O crescimento da feira da APAS demonstra que cada vez mais o mercado está buscando por produtos orgânicos, por produtos saudáveis e isso é nítido”, afirmou Alethéa Macena, integrante da inteligência comercial e competitiva do Projeto Organics Brasil.

Apesar do crescimento do setor, muitos consumidores encontram obstáculos para obter alimentos orgânicos. Entre as reclamações estão: o preço alto, a falta de informação e dificuldade em encontrar os produtos nas gôndolas de supermercado.

Para a vendedora Marilene Mascher, o consumo destes alimentos é benéfico, porém o valor torna inviável comprá-los sempre. “Acho que se todo mundo pudesse ter condições de adquirir produtos orgânicos, seria o ideal. Porém o preço infelizmente nem sempre dá para as pessoas comprarem esses produtos no dia a dia por conta do custo. Às vezes no orçamento de uma família não cabe o consumo de todos os produtos orgânicos”.

Por outro lado, o representante comercial Rômulo Caixeta afirma que ainda não está convencido de que os orgânicos façam diferença na saúde, principalmente pelo preço elevado. “Se o orgânico estiver no preço competitivo, eu compro o orgânico, mas se ele estiver 60% a mais, eu deixo pra lá porque eu não estou realmente convencido de que isso vai me fazer bem. Eu acho que, de imediato, esse é um grande problema do pessoal de orgânicos: falta informação para o consumidor”.

Alethéa Macena, do Projeto Organics Brasil, está otimista de que o preço de alimentos orgânicos irá diminuir como em outros mercados do mundo. “O mercado [brasileiro] está sendo criado agora e nos grandes mercados, Europa e Estados Unidos, onde a legislação entrou em vigor 10 anos antes do Brasil, o mercado já está mais consolidado e os consumidores entendem o que é um produto orgânico. Isso vai acontecer no Brasil também.”, explicou.

  •  Luciana Almeida cobriu a feira APAS para ONB.