Norsk Hydro foi multada em R$ 40 milhões por poluir manancial de Barcarena

(Foto: Ascom/ Semas)

“Vertemos água de chuva e de superfície não tratada no rio Pará”, afirmou o CEO da empresa, Svein Richard Brandtzaeg, em um comunicado.

“É totalmente inaceitável e rompe com o que a Hydro representa. Em nome da empresa me desculpo pessoalmente com as comunidades, as autoridades e a sociedade”, completou.

O grupo norueguês recebeu duas multas de R$ 20 milhões: a primeira por “atividades potencialmente contaminantes sem licença ambiental válida”, e a segunda, por “operar uma tubulação de drenagem também sem licença”.

Um juiz do estado do Pará também obrigou a empresa a reduzir em 50% a produção de sua fábrica de alumínio.

De acordo com o Instituto Evandro Chagas, a “lama vermelha” registrada após as chuvas pode representar riscos para pescadores e outras comunidades próximas à fábrica, com níveis elevados de alumínio e metais tóxicos na água.

A Norsk Hydro contratou uma auditoria independente da empresa de consultoria SGW Services para esclarecer o caso e, na última sexta-feira (16), anunciou um investimento de 500 milhões de coroas (R$ 210 milhões).

A Hydro Alunorte, que pertence em 92,1% à Norsk Hydro, produz 5,8 milhões de toneladas de alumina ao ano. A alumina, extraída da bauxita, é a principal matéria-prima para a produção do alumínio. As ações da Norsk Hydro perderam 15,82% de seu valor no último mês.

A gestão dos rejeitos de mineração é um tema sensível no Brasil, que registrou, em 2015, a pior tragédia ambiental de sua história: o rompimento de uma barragem com quase 40 milhões de metros cúbicos de resíduos de mineração em Mariana, Minas Gerais.

O tsunami de lama matou 19 pessoas, destruiu várias cidades e percorreu mais de 600 quilômetros pelo rio Doce até o oceano Atlântico, devastando fauna e vegetação em sua passagem.

Fonte: AFP