Laudo apresentado, nesta sexta-feira (26), pela Polícia Federal revelou que perfurações verticais feitas pela Vale foram a causa da liquefação que provocou o rompimento da barragem em Brumadinho (MG).
Segundo o relatório, a mineradora contratou uma empresa, em outubro de 2018, para avaliar a resistência de diferentes partes da barragem. A parte no fundo não era consistente o suficiente para suportar a quantidade de material armazenada na barragem.
Em dezembro do mesmo ano, antes de analisar os resultados da empresa, a Vale começou as perfurações verticais para identificar os materiais em cada ponto da barragem e instalar novas ferramentas de monitoramento.
Entretanto, os novos instrumentos não identificaram o processo de liquefação. A última leitura feita pelo sistema três minutos antes da ruptura não mostrou nenhuma anomalia. O processo de liquefação levou apenas 30 segundos para se formar e romper a barragem.
“A perfuração induziu uma pressão de água de forma pontual em um ponto da barragem que era muito sensível, o que dobrou a pressão naquele ponto. Esse ponto sensível se rompeu por liquefação, que se propagou por toda a barragem. A liquefação funciona dessa forma: basta que um ponto se rompa para que o processo seja desencadeado”, explica o perito criminal federal Leonardo Mesquita de Souza, responsável pelo laudo.
A Polícia Federal descartou outras hipóteses para o rompimento da barragem, como pequenas deformações que, em combinação com fortes chuvas, provocou a liquefação; uma detonação em uma mina próxima; e a elevação da pressão d’água interna.
A partir do laudo pericial, a Polícia Federal fará novas diligências. As investigações continuam.






























