Pesquisadores identificam plantas capazes de extrair níquel do solo

(Foto: Leide Andrade/ Embrapa)

Pesquisadores da Embrapa identificaram 19 espécies vegetais do Cerrado com capacidade de absorver grandes quantidades de níquel (Ni) e acumulá-lo em suas folhas e caules.

Reconhecidas como hiperacumuladoras de níquel, estas espécies conseguem acumular em seus tecidos grande quantidade desse metal, mais de 0,1% (ou mais de 1.000 mg de Ni/kg) de matéria seca.

Segundo a pesquisadora da Embrapa Cerrados (DF) e coordenadora do projeto, Leide Andrade, as espécies têm potencial para uso na fitorremediação de níquel em solos contaminados com esse metal, em regiões industriais ou agrícolas. Esse processo é o cultivo de plantas que descontaminam os solos com excesso desse elemento químico à medida que o acumulam em suas próprias estruturas.

Elas também podem ser cultivadas em solos já minerados, mas que ainda contêm níveis de níquel que o processo de mineração convencional não consegue extrair. Os resultados ainda são preliminares.

A descoberta foi feita durante pesquisa que buscava identificar espécies para serem utilizadas na revegetação de áreas alteradas pela mineração na região ultramáfica de Barro Alto (GO), local com importantes depósitos de níquel.

O trabalho resultou no registro de mais de 200 espécies capazes de crescer em ambientes com alto teor de metais no solo, como níquel, magnésio, manganês, cromo, ferro, cobalto, entre outros. 29 foram selecionadas por sua abundância e capacidade de colonizar ambientes alterados.

A pesquisa foi realizada a partir de uma demanda da mineradora que atua no estado, a Anglo American, que busca soluções para elevar o padrão de qualidade da recuperação dos ambientes remanescentes da lavra da mineração de níquel e as pilhas de material estéril. Hoje, a legislação exige que essas áreas sejam revegetadas, mas não define o tipo de cobertura vegetal que deve ser usado.