Grande parte dos cerca de 1.500 trabalhos científicos foram inscritos no VI Congresso Latino-americano de Agroecologia, que se encerrou na semana passada em Brasília, são frutos dos núcleos de agroecologia de universidades brasileiras.
Isso demonstra o crescimento do interesse sobre o assunto no âmbito acadêmico! É muito importante que toda a sociedade continue estudando, fazendo pesquisas e buscando aprimorar cada vez mais a agricultura orgânica, que hoje não consegue competir com a escala industrial dos meios de produção tradicionais (daí o motivo para a diferença de preço). Uma ótima notícia! Quanto mais incentivos melhor!
A produção, o acesso do alimento orgânico ao maior número de pessoas, o crescimento das compras governamentais desses produtos para a merenda escolar, hospitais e universidades, dominaram as discussões durante três dias do Congresso de Agroecologia.
II. Veículos Elétricos
Outro evento que discutiu sustentabilidade na última semana foi o 13º Salão Latino Americano de Veículos Híbridos-Elétricos que ocorreu em São Paulo. Dezenas de expositores de diversas montadoras, consultores, empreendedores, acadêmicos participaram das discussões sobre o modal elétrico, além de lançamentos e rodadas de negócios.
Entre as discussões, chamou a atenção a necessidade de os ônibus serem veículos prioritários para a conversão em elétricos. Por utilizarem o diesel como combustível (o mais poluente) e a ‘facilidade’ de serem um serviço público são algumas das razões para o investimento prioritário neste meio de transporte. A imposição de uma parcela da frota ser elétrica, poderia, inclusive, fazer parte das requisições do processo de licitação das prefeituras, por exemplo.
Já houve a tentativa dessa mudança pelo poder público na cidade de São Paulo. A Lei de Mudanças Climáticas aprovada pela Câmara Municipal em 2009 que previa que 100% da frota fosse de ônibus não-poluentes até 2018 está muito longe de se concretizar.
Hoje, dos 15 mil ônibus presentes na capital paulista, apenas 3 são inteiramente elétricos (com baterias) e 250 são trólebus. Caso todos os ônibus de São Paulo fossem substituídos por veículos elétricos, isso implicaria em uma redução equivalente a 2 milhões de carros, segundo os participantes da palestra.
III. (In)Decisões do governo
Na última terça-feira (26) foi, enfim, publicado o decreto que revoga a extinção da área de proteção da Renca. Essa discussão e trapalhada do governo federal tomou conta dos brasileiros nas últimas semanas. Parece que pelo menos por enquanto não teremos novos capítulos dessa novela e dissonância entre os Ministérios do Meio Ambiente e de Minas e Energia.
É evidente que o desenvolvimento econômico e a geração de empregos no nosso país são sempre importantes, mas não a qualquer custo e muito menos a ‘toque de caixa’, sem qualquer discussão com a sociedade.
Nessa história ficou evidente que a pressão da população é importante e faz efeito sim. Esse ímpeto em contestar os desfeitos que vemos diariamente tanto no meio ambiente quanto em outras áreas não pode ser perdido.
Outra polêmica protagonizada pelo Palácio do Planalto nessa última semana foi a cogitação de se extinguir o horário de verão. O programa ocorreu pela primeira vez no Brasil na década de 30 e vem sendo adotado continuamente desde 85.
O cerne da discussão seria a real eficácia da medida, que tem a pretensão de economizar energia. As pesquisas da entidade Operador Nacional do Sistema (ONS) apontam para o fato de que a adoção da hora adiantada não resulta mais em economia de energia, uma vez que a temperatura é quem determina o maior consumo de energia e não a incidência da luz durante o dia. Atualmente os picos de consumo ocorrem no horário entre 14 e 15h, e não mais entre 17 e 20h.
Acontece, que a mesma ONS afirma que no horário de verão dos anos 2016/2017 a economia foi de R$ 159,5 milhões.
Além do benefício de economia de energia, o horário de verão trazia maior movimento do comércio durante o horário de verão. Com dias mais claros, as pessoas ficam mais na rua e consomem mais. Isso sem falar na prática de esportes que aumenta por conta da maior duração do dia claro.
Contudo, assim como no caso da Renca, o governo recuou da discussão e manteve o horário de verão de 15 de outubro de 2017 a 17 de fevereiro de 2018.































