Uso indiscriminado de pesticidas no Brasil ameaça meio ambiente e prejudica todo ecossistema.
Quando o assunto é o uso de agrotóxicos na agricultura, o Brasil dá um show de mau exemplo. O país é o maior consumidor de pesticidas do mundo, e estima-se que seja usado 19% de todo o agrotóxico do planeta aqui, em terras brasileiras. Conhecidos como defensivos químicos, os agrotóxicos, pesticidas e demais produtos utilizados na proteção da planta contra infestações e pragas, quando mal aplicados ou utilizados indiscriminadamente, podem causar sérios danos ao meio ambiente e à saúde de quem consome os alimentos.
O Brasil tem tido nos últimos anos um aumento expressivo na comercialização de agrotóxicos, além de uma insistência de agricultores no uso de defensivos químicos proibidos. De acordo com o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama), em 2017, foram usadas 539,9 mil toneladas de pesticidas no país, que registrou, em decorrência disso, muitos casos de intoxicações e poluição de solo e rios.
Contaminação por todo lado
Quando um agrotóxico é aplicado em uma planta, ele se propaga por todos os lugares possíveis e faz estrago por onde passa. Com o tempo de uso, fragiliza o solo e diminui sua fertilidade. Quando suspenso na atmosfera, pode intoxicar todos os seres vivos que respiram o ar contaminado.
Em espécies aquáticas, ele pode contaminar toda cadeia alimentar, como revela o artigo da Revista Ambiente & Água (v. 16, n. 3). O texto traz os resultados de uma pesquisa realizada por estudiosos da Universidade Federal de Lavras (UFLA), em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e cientistas do Centro de Bioengenharia de Espécies Invasoras de Hidrelétricas (CBEIH), que teve como objetivo analisar a presença de agroquímicos em moluscos de água doce do reservatório de Volta Grande, uma área praticamente rodeada por terras agrícolas.
Os moluscos foram escolhidos como bioindicadores da qualidade da água, por terem ciclos de vida bastante longos, o que possibilita uma amostragem mais completa. O resultado foi desanimador: nas cinco espécies de moluscos analisadas, foram encontrados pesticidas, incluindo aqueles que têm o uso proibido no Brasil. Além disso, algumas espécies foram contaminadas por múltiplos pesticidas. É possível que os animais não morram após a infecção por agrotóxicos, mas acabam transmitindo a substância quando são consumidos por outras espécies. Não demora muito para a contaminação chegar ao ser humano.
O consumo desses defensivos químicos pode gerar uma série de danos para a saúde das pessoas e até levar à morte. Problemas nos rins, redução da fertilidade, doenças do sistema nervoso, convulsões e cânceres são doenças comuns decorrentes do envenenamento por agrotóxicos.
Um apoio para mudar
Existe um projeto em análise no Senado que prevê a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico incidente sobre a importação e comercialização de agrotóxico, a Cide-Agrotóxico (PL 1.053/2020), com o objetivo de promover a redução do uso de agrotóxicos no Brasil, por meio do financiamento e apoio em ações de recuperação ambiental e políticas públicas de incentivo à agroecologia. Com os números alarmantes que o Brasil ostenta, toda a conscientização e ajuda são bem-vindas, tanto de órgãos ambientais e demais áreas políticas, como de servidores públicos, no seu trabalho diário. Por falar em servidores, estão abertas 19 vagas para os níveis médio e superior no concurso Senado Federal, uma oportunidade para que novas pessoas, através de pequenas e grandes ações, façam a diferença e contaminem o ambiente com a melhor de todas as substâncias: consciência ambiental.





























