O 6º Relatório do IPCC, que teve impacto mundial porque apontou o ser humano como agente de destruindo o planeta, indica que parte do metano gerado vem pela disposição de lixo em aterros, equivalente a 64 milhões de toneladas por ano. No Brasil isso representa em torno de 4% de todas as emissões totais de GEE.
Estudo do IEA Bioenergy indica que, cada tonelada de resíduos urbanos que deixam de ir para aterro (enviados para centrais de remoção dos recicláveis) e o material restante utilizado para gerar energia, permite a redução de aproximadamente 2 toneladas de gases de efeito estufa. Ou seja, considerando que somente metade dos resíduos urbanos sejam utilizados para gerar energia, em substituição de combustíveis fósseis, haveria uma redução de 5% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil.
Segundo estudo da Associação Brasileira de Recuperação Energética de Resíduos (ABREN) será necessário investimentos de R$ 78,3 bilhões para tratar 58% de todo o lixo urbano gerado no Brasil (RSU), englobando as 28 regiões metropolitanas com mais de 1 milhão de habitantes, somados aos municípios com mais de 200 mil habitantes. Considerado o tratamento de 46 milhões de toneladas/ano de resíduos sólidos urbanos, sendo destinado 62% para Unidade de Recuperação Energética, 21% para combustível de biodigestores (CDR), 11% para biogás e 6% para reciclagem, sendo que somente 4% continuarão sendo destinados para aterros.
Serão evitados 91 milhões de toneladas de CO2 equivalente, o que corresponde ao reflorestamento de uma área de 273 milhões de árvores plantadas por ano, área similar a 1,5 vezes a do município de São Paulo.
Tecnologia
A tecnologia de utilização correta dos resíduos, após retirada dos recicláveis, é empregada há décadas na maioria dos países do mundo, com destaque na Europa, EUA, Canadá, Japão, China e Coréia do Sul, e mais recentemente também em países da África e Oriente Médio, e também Austrália e Israel. A América Latina, no entanto, não detém nenhuma planta de grande porte de Waste-to-Energy (WTE) ainda em operação, mas já desponta com 36 fábricas de cimento licenciadas, que substituem 16,2% do combustível fóssil por CDR.
No Brasil, a utilização de resíduos como fonte de energia é utilizada em maior escala pela indústria cimenteira, e pela primeira vez a ANEEL lançou leilão de novos projetos de Waste-to-Energy, tendo como combustível os resíduos sólidos urbanos, sendo que diversos projetos estão em processo de implantação.
No Brasil, ainda há resistências, inclusive de alguns Órgãos Ambientais, que ainda não se adaptaram aos novos tempos e proíbem tecnologias amplamente utilizados e incentivadas em praticamente todos os países do mundo, como os Estados que proíbe a recuperação energética por incineração de RSU para geração de energia elétrica, tecnologia utilizada como fonte de energia limpa em 98% das 2.440 usinas em operação comercial no mundo, bem como outro Estado que limita o poder calorífico dos resíduos a serem utilizados em coprocessamento nos fornos de cimento em valores altíssimos não praticados em nenhuma parte do mundo e mais de três vezes o praticado em outros Estados do país.
- Com informações da ABREN: Associação Brasileira de Recuperação Energética de Resíduos, integrante do Global Waste to Energy Research and Technology Council (GWC), associada da Associação Internacional de Resíduos Sólidos ou International Solid Waste Association (ISWA) e da Federação da Indústria Alemã de Gerenciamento de Resíduos, Água e Matérias-primas ou Bundesverband der Deutschen Entsorgungs, Wasser-und Rohstoffwirtschaft e. V. (BDE)



























