São Paulo tem pelo menos 239 mortes em decorrência do aquecimento global todos os anos

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Pesquisa da Nature Climate Chance mostra que efeito estufa é responsável por 37% das mortes por calor.

O clima está mudando constantemente: estamos vivendo em uma época marcada pelo calor, sobretudo causado pelo efeito estufa, em decorrência do aquecimento global. Para além dos problemas já notórios causados pelo calor – derretimento das calotas polares, que causa elevação nos níveis oceânicos, o próprio aumento das temperaturas, entre outros grandes problemas ecológicos –, o efeito estufa também tem causado efeitos mais visíveis: ao menos 37% das mortes por calor são causadas por ele.

O estudo, publicado ao final de maio na revista Nature Climate Change e divulgado pela agência de notícias Associated Press, destaca que o número corresponde a ⅓ das mortes causadas pelo calor, o que ressalta a importância de cuidar do meio ambiente para que essas situações sejam evitadas.

Para chegar à conclusão, foram analisadas 732 cidades ao redor do mundo – tudo isso em um período de 27 anos (1991 a 2018). Assim, entre as mortes causadas pelo calor, 37% delas foram em decorrência das ações humanas para com o aquecimento global. A pesquisa informa que a porcentagem é equivalente a 9.700 pessoas por ano – apenas nas cidades pesquisadas.

Em nota, Antonio Gasparrini, um dos autores do artigo, afirma que as consequências não serão futuras, visto que já acontecem agora. “A mensagem é clara: as mudanças climáticas não apenas terão impactos devastadores no futuro, como todos os continentes já estão experienciando as consequências terríveis das ações humanas em nosso planeta.”

Cidades com maiores índices de poluição e consequências do aquecimento global

Não surpreende que as cidades que mais emitem os gases que contribuem para o efeito estufa são também as que mais registram mortes em decorrência do calor. No entanto, um dado inesperado é que os piores índices de óbitos estão concentrados na América do Sul – uma junção dos gases emitidos com o clima tropical.

Assim, a cidade pesquisada com o maior percentual de mortes causadas pelo calor em decorrência da ação humana também está localizada no Brasil: São Paulo apresentou uma média de 239 mortes por ano ao longo de 27 anos.

No entanto, não necessariamente os locais que mais soltam gases nocivos são aqueles que mais sofrem com os efeitos. De acordo com a pesquisa, os óbitos são bastante frequentes em países de baixa ou média renda, ainda que tenham uma participação menor nas emissões de gases que contribuem para o aquecimento global em comparação aos países mais ricos.

Também em nota destinada à imprensa, a pesquisadora Ana Vicedo-Cabrera destaca que as mortes não diminuirão sem que haja conscientização global. “Espera-se que a proporção de mortes relacionadas ao calor continue a crescer se não fizermos algo sobre as mudanças climáticas ou nos adaptarmos. Até agora, a temperatura média global aumentou 1ºC, que é apenas uma fração do que iremos enfrentar se as emissões crescerem de forma descontrolada”, diz Vicedo-Cabrera.

Como minimizar os danos

Vale destacar que, para moradores de cidades notoriamente mais poluídas – São Paulo é um exemplo –, é importante investir em maneiras de deixar o ar dentro de casa mais puro e menos abafado como maneira de prevenir uma série de doenças. Uma das maneiras possíveis é investir em um purificador de ar, assim como em umidificadores.