Tecnologia faz a força das águas gerar energia na rede de água⁩

(Foto: Divulgação)

Desde maio do ano passado, há uma microturbina hidro geradora instalada em uma tubulação de quatro polegadas (equivalente, por exemplo, ao diâmetro de uma mexerica do tipo ponkan), que produz energia suficiente para alimentar diversos dispositivos, entre eles, equipamentos de telemetria com chips de celulares. Com essa informação em mãos, a central toma a decisão de acionar a abertura ou o fechamento de válvulas ao longo de toda a malha de tubulações no subterrâneo da capital paulista, além de identificar os pontos de vazamentos.

Para se ter uma ideia, somente nas regiões centro e oeste, a Sabesp descarta quase 160 baterias por ano. Diferentemente, com as microturbinas, o acionamento de energia é possível sempre que necessário, pelo tempo desejado, sem impacto ambiental, já que são recarregáveis. Outra vantagem das mini turbinas é a sua vida útil, estimada pelo fabricante em 20 anos, enquanto a demanda por revisão do seu mecanismo dá-se apenas a cada cinco anos.

A gestão “pente fino” da força com que as águas circulam na tubulação é fundamental para a cidade, pois permite aumentar a pressão quando há maior demanda por água, nos horários de pico, assim como diminuí-la, quando há menor consumo.

Menor impacto ambiental

O projeto piloto de Vila Prudente e da Cidade Universitária vai ao encontro, ainda, de outro desafio. Ao final da vida útil de baterias tradicionais, é necessário removê-las fisicamente da rede, pois possuem elementos poluentes que podem afetar o meio ambiente. Empresas especializadas são responsáveis pelos descartes que não podem ser feitos em aterros sanitários, já que podem liberar substâncias químicas e, assim, contaminar o solo, água e plantas. O descarte de baterias convencionais exige, ainda, uma operação logística complexa que pode consumir um bom tempo, conforme a dificuldade de acesso, uma vez que equipes se deslocam até os locais onde as baterias estão afixadas ao longo da rede subterrânea.

Rede de águas inteligente

“Micro turbinas trazem ao Brasil a possibilidade de ampliar – e muito – o uso intensivo de dispositivos inteligentes nas redes de águas”, afirma Avi Meizler, CEO da ATME Eco Solutions, empresa que representa a tecnologia no Brasil. “Isso é crítico já que, segundo o último estudo do governo federal, o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), do Brasil desperdiçava em 2013, em média, 37% da água tratada que distribui em suas cidades”, informa o executivo. Para ele, a gestão da pressão da água – com o abrir e fechar das válvulas que regulam essa pressão – é uma forma inteligente e barata para reduzir esse índice rapidamente.