Dos 12 milhões de hectares de florestas que devem ser restaurados até 2030, o Brasil recuperou apenas 66 mil hectares com árvores nativas, o equivalente a 0,55% do seu compromisso no Acordo de Paris.
A informação é do Observatório da Restauração e Reflorestamento lançado pela Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura. A nova plataforma online reúne dados georreferenciados de projetos que foram coletados em campo para criar um panorama completo da restauração, do reflorestamento e da regeneração natural em todos os biomas do Brasil.
De acordo com o levantamento, os 66 mil hectares estão em áreas de restauração ativa em projetos que utilizam espécies nativas e favorecem a biodiversidade.
O estudo também encontrou 10 milhões de hectares que se regeneraram naturalmente que se regeneraram naturalmente, ou seja, áreas que estão retornando sua cobertura de vegetação natural. No entanto, as organizações alertam que não é possível afirmar se essas florestas regeneradas serão mantidas, pois os dados de satélite não permitem identificar se houve a intenção de deixar essas áreas regenerarem ou se foram áreas abandonadas que seguem ameaçadas de novos desmatamentos.
A plataforma
O Observatório da Restauração e Reflorestamento foi criado em conjunto com diversas organizações, que incluem o Imazon, o WRI Brasil, TNC e o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica.
O objetivo é suprir a lacuna de dados consolidados do que foi restaurado ou reflorestado e auxiliar na tomada de decisão sobre o que ainda precisa ser feito para o Brasil cumprir os seus compromissos nos acordos internacionais em que é signatários, como o Acordo de Paris, a Iniciativa 20 x 20 e o Desafio de Bonn.
A plataforma conta com duas interfaces para o usuário: uma apresenta os dados principais de forma simples e direta para o público em geral; a outra interface traz ferramentas para filtrar as áreas por biomas, municípios e estados, para planejar e dar escala à restauração.
Com isso, a plataforma torna possível identificar geograficamente quais as áreas que já contam com projetos de restauração, reflorestamento ou regeneração natural – informação crucial para acompanhar a permanência e sucesso dessas iniciativas, assim como planejar novos plantios.
As empresas privadas podem usar a plataforma como uma ferramenta para rastrear cadeias de produtos florestais ou verificar o cumprimento de suas políticas de sustentabilidade, e monitorar áreas de restauração para fins de compensação ambiental.





























