O isolamento provocado pela disseminação do coronavírus evitou 802 mortes por poluição em São Paulo, segundo estudo realizado pelo ICAQF (Instituto de Ciências Ambientais, Químicas e Farmacêuticas), departamento da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Os gases nocivos ao organismo humano e ao meio ambiente foram reduzidos consideravelmente com a diminuição da circulação de veículos nos meses iniciais da pandemia.
No período, a queda mais significativa foi a diminuição em 58% de dióxido de nitrogênio (NO2) na atmosfera. Em relação às partículas no ar, o diâmetro dos materiais coletados com até 2,5 micrômetros (MP2,5) caiu 46%, enquanto os com até 10 micrômetros (MP10) caíram 45%.
A partir disso, o cálculo em relação à saúde da população foi realizado considerando as mortes prematuras ocasionadas por doenças cardiorrespiratórias provocadas pela poluição do ar. Ao final, estimou-se que, entre março e junho, 802 vidas foram poupadas desta forma. Além disso, acredita-se que a cidade economizou US$ 720 milhões (R$ 3,9 bilhões) em custos relacionados a essas doenças.
A análise, que avaliou as reduções entre 16 de março e 14 de junho de 2020, comparou os índices aos registrados um ano antes, no mesmo período de 2019. Os valores foram coletados a partir de dados de 15 estações automáticas de monitoramento da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo). Os resultados foram publicados no periódico científico internacional “Sustainability‘
Apesar dos resultados positivos, o isolamento não foi provocado por uma onda natural, mas, sim, por conta de uma pandemia. Durante os meses em que o estudo foi desenvolvido, 5.623 de pessoas morreram em São Paulo em decorrência do coronavírus. Nesta situação, os gastos foram de US$ 10,5 bilhões, ou seja, R$ 56,84 bilhões, de acordo com pesquisadores da Unifesp.
“Nada exclui ou ameniza o impacto trágico da pandemia, mas creio que o importante é aproveitarmos a experiência deste evento inusitado para planejar políticas públicas que protejam a população dos eventos adversos em saúde associados à poluição do ar. Ou seja, diminuir deslocamentos veiculares é viável, e isso protege vidas”, comentou a pesquisadora Simone Miraglia, professora do Instituto de Ciências Ambientais, Químicas e Farmacêuticas (ICAQF) do Campus Diadema.
A diminuição do isolamento
O período de reclusão total, mesmo que gerasse frutos positivos para o meio ambiente e para controlar a disseminação do vírus, não durou mais que alguns meses. Com a retomada dos serviços não essenciais, os níveis atmosféricos já estão até maiores do que os registrados antes da pandemia, segundo a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), que monitora a qualidade do ar no estado.
Além da reabertura dos postos de trabalho presenciais, houve ainda o movimento de abandonar a quarentena após o cansaço da reclusão. O fenômeno, que começou a ser reparado em julho, fez com que até mesmo os apoiadores do isolamento quisessem começar a sair de casa, mesmo que os números da pandemia não baixassem.
Para os profissionais formados na faculdade de Psicologia, o comportamento já era esperado, já que, quando o sistema de defesa – responsável pelo corpo permanecer alerta em busca de proteção – é exigido por longos períodos, ele tende a falhar. Logo, as pessoas começam a fazer concessões e a não ter mais tanto medo como outrora.
Ainda assim, os profissionais da saúde alertam para o uso de máscaras e do distanciamento social às pessoas que forem sair de casa.






























