França propõe pacto global que reunirá todas as diretrizes ambientais

À esquerda, o secretário-geral da ONU, António Guterres. À direita, o presidente da França, Emmanuel Macron. (Foto: ONU/ Kim Haughton)

Quase dois anos após a elaboração do Acordo de Paris, o presidente francês Emmanuel Macron propôs a criação de um pacto global ambiental.

Um projeto que visa reunir todas as convenções e diretrizes do direito internacional sobre o meio ambiente para auxiliar na luta contra a mudança climática e para a proteção ambiental. Se realizada, será o primeiro documento a comportar mais de 500 acordos multilaterais sobre o meio ambiente.

Durante o seu discurso na Assembleia Geral da ONU, o presidente Emmanuel Macron ressaltou que a iniciativa redobra os esforços e a ambição. “Esse acordo não será renegociado. Ele nos vincula. Ele nos une. Descosturá-lo seria destruir um pacto que não é somente entre os Estados, mas entre gerações”, ressaltou Macron.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, descreveu a proposta como “ambiciosa” e afirmou que vai de encontro aos objetivos traçados pela Agenda 2030 e pelo Acordo de Paris.

“O Pacto Global para o Meio Ambiente, proposto pelo governo da França, vai capturar esse compromisso vital em um texto universal”, disse Guterres.

“Ao longo dos últimos 60 anos, 40% das guerras estiveram associadas à degradação ambiental. Neste ano, 20 milhões de pessoas atingidas por fenômenos meteorológicos se somaram aos 65 milhões de pessoas que tiveram de deixar suas causas por causa de conflitos e perseguições. Quase todos os nossos empregos e oportunidades econômicas dependente da utilização que fazemos dos recursos naturais. Mas a erosão fez desaparecer um terço das terras agrícolas. Nossa única esperança para resolver esses problemas é somar forças para proteger o meio ambiente”, alertou o secretário-geral.

Macron também anunciou que a França investirá 5 bilhões de euro por ano até 2020 em ações contra a mudança climática e ressaltou que os países devem continuar se empenhando para cumprir o Acordo de Paris, mesmo sem a participação dos Estados Unidos.

“Eu respeito a decisão dos Estados Unidos. A porta estará sempre aberta para eles. Mas nós continuaremos, com todos os governos, coletividades locais, cidades, empresas, ONGs e cidadãos do mundo, a concretizar o Acordo de Paris. Temos conosco a força dos pioneiros, a resistência, a certeza e a energia dos que querem construir um mundo melhor”, afirmou.

** Com informações da ONU Brasil