O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, disse que o governo trabalhará para reduzir o desmatamento e mostrar aos investidores estrangeiros que o Brasil está comprometido com o meio ambiente.
O plano do governo, segundo Mourão, é manter as operações de repressão aos crimes ambientais, realizar ações efetivas nas áreas de regularização fundiária e de pagamentos de serviços ambientais para alcançar um “número de desmatamento que seja aceitável”.
A declaração foi dada durante uma coletiva de imprensa, após o vice-presidente se reunir com seis ministros e oito fundos de investimentos estrangeiros do Reino Unido, Suécia, Noruega, Países Baixos e Japão.
A reunião aconteceu após executivos de 38 grandes empresas brasileiras e estrangeiras cobrarem ações concretas para combater o desmatamento e proteger o meio ambiente do governo federal, em uma carta divulgada no início desta semana.
Mourão defendeu a atuação do governo. Ele ressaltou que a gestão não pode ser responsabilizada pelo “desmonte” de agências de fiscalização ambiental. ” Nós herdamos tanto o Ibama como o ICMBio com reduzido número de servidores. Com as questões orçamentárias que vivemos e a proibição de concursos, nós estamos buscando uma solução. Isso é uma tarefa que o Conselho da Amazônia irá buscar, para que essas agências tenham sua força de trabalho recompletadas. Então, críticas têm sido feitas e, principalmente ao ministro Ricardo Salles, e quero deixar claro aqui que essas críticas não estão sendo justas”, disse.
Sobre a retomada do Fundo Amazônia, o vice-presidente afirmou que se o Brasil apresentar “dados consistentes”, a Noruega e a Alemanha devem voltar a investir no país outra vez.
Os países europeus contribuem juntos por mais de 90% do fundo e suspenderam os repasses no ano passado após o crescimento das queimadas na Amazônia e discordâncias políticas com a atual gestão.
O governo brasileiro tenta melhorar sua imagem em relação à proteção da Amazônia e de povos indígenas diante de críticas e alertas que tem recebido de investidores, preocupados com temas como aumento do desmatamento e de queimadas na região.
Repercussão
Após a reunião com o vice-presidente Hamilton Mourão, os fundos internacionais Storebrand Asset Management, da Noruega, e Nordea Asset Management e SEB Investment Management afirmaram que acompanharão a atuação e os resultados do Brasil na preservação ambiental.
Segundo o chefe do fundo Storebrand, Jan Erik Saugestad, os fundos apresentaram ao governo cinco pontos considerados importantes para avaliar a política ambiental brasileira.
- Redução significativa nas taxas de desmatamento;
- Aplicação do Código Florestal;
- Prevenção de incêndios nas áreas florestais, ou nas proximidades, a fim de evitar a repetição do que ocorreu em 2019;
- Acesso público a dados sobre desmatamento, cobertura florestal, posse e rastreabilidade das terras que produzem commodities; e
- Eficiência dos órgãos de fiscalização brasileiros para fazer cumprir a legislação ambiental e de direitos humanos
“Somente por meio da colaboração entre governos, empresas e investidores é que podemos alcançar as mudanças necessárias. Isso marca um começo”, disse Saugestad em nota.
Javiera Ragnartz, CEO do SEB Investment Management, disse em nota que queria discutir o papel de florestas tropicais, como a Amazônia, no combate às mudanças climáticas. O fundo continuará a monitorar o desenvolvimento das ações do Brasil na política ambiental para avaliar a exposição do fundo aos riscos financeiros decorrentes do desmatamento.





























