Países precisam cortar emissões em até 10 vezes para conter aquecimento global

(Foto: Pixabay)

O mundo precisa multiplicar por dez o atual volume de cortes de emissões de CO2 para conter a emergência climática. É o que indica um novo estudo conduzido por professores das universidades de East Anglia (UEA) e Stanford e publicado na revista Nature Climate Change.

A pesquisa analisou as emissões de 64 países entre 2016 e 2019, para medir o progresso feito pelos países desde a criação do Acordo de Paris – acordo assinado por quase 200 países para frear o aquecimento global.

De acordo com o estudo, os cortes anuais de 0,16 bilhões de toneladas de CO2 correspondem a apenas 10% dos cortes necessários por ano em todo o mundo para enfrentar a mudança climática.

A preocupação dos cientistas é que, embora as emissões tenham diminuído em 64 países, houve um aumento nos índices de outros 150 países. No período analisado, as emissões cresceram 0,21 bilhões de toneladas de CO2 por ano no mundo, em comparação com 2011-2015. Em 2020, a pandemia de Covid-19 causou uma redução de 2,6 bilhões de toneladas de CO2, cerca de 7% abaixo dos níveis de 2019.

Para os pesquisadores, 2020 é um “botão de pausa” que não pode continuar realisticamente enquanto o mundo depende esmagadoramente de combustíveis fósseis. Além disso, as políticas de confinamento não seriam uma solução sustentável nem desejável para a crise climática.

“Precisamos de ações em larga escala que sejam boas para a saúde humana e boas para o planeta. É do melhor interesse de todos reconstruir melhor para acelerar a transição urgente para a energia limpa”, afirma a professora Corinne Le Quéré, da Escola de Ciências Ambientais da UEA e a autora principal do estudo.

Outro fator que contribuiu para conter as emissões foi a aprovação de leis e políticas com foco na mudança climática. Hoje, existem mais de 2000 leis e políticas climáticas em todo o mundo.

Rob Jackson, da Universidade de Stanford e co-autor do estudo, está otimista de que os compromissos crescentes dos países, principalmente dos três maiores poluidores (China, Estados Unidos e União Europeia), fortalecerão as ações necessárias antes da COP26.